Histórias Inspiradoras de Mulheres na Ciência
O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado em 11 de fevereiro, foi estabelecido pela Assembleia das Nações Unidas em 2015, com o intuito de promover a igualdade de gênero nas áreas de ciência e tecnologia. Para reconhecer e valorizar a contribuição decisiva das mulheres na produção científica, destacamos a trajetória de três pesquisadoras do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), que, em diferentes fases de suas carreiras e áreas de estudo, têm se mostrado fundamentais para o avanço da pesquisa na região.
Elizabeth Gusmão e a Aquicultura Amazônica
Com mais de quatro décadas de experiência, Elizabeth Gusmão se destaca como pesquisadora no Inpa, onde lidera um grupo focado na aquicultura da Amazônia Ocidental. Seu trabalho envolve o desenvolvimento de tecnologias para a produção de peixes nativos, incluindo espécies como tambaqui e pirarucu. Além de suas pesquisas, Elizabeth é coordenadora do Programa de Pós-graduação em Aquicultura da Universidade Nilton Lins, em colaboração com o Inpa.
Desde seus primeiros passos na instituição, a trajetória de Elizabeth foi marcada por desafios. Em uma reflexão sobre sua carreira, ela compartilhou: ‘Sempre tive como meta aprimorar meus conhecimentos científicos para contribuir com a educação e a pesquisa, especialmente para a melhoria da qualidade de vida dos habitantes da Amazônia’. Elizabeth enfatiza que a luta pela igualdade de gênero no ambiente científico é crucial e que a valorização das mulheres na ciência é uma necessidade urgente.
Jeane Marcelle Cavalcante e a Sistemática de Insetos Aquáticos
Outra história inspiradora é a de Jeane Marcelle Cavalcante, especialista em sistemática de insetos aquáticos e egressa da pós-graduação do Inpa. Jeane, que cresceu em Sergipe e estudou em escolas públicas, é um exemplo de determinação e superação. Desde a infância, ela sonhava em ser pesquisadora, um sonho que se concretizou após sua aprovação em Biologia na Universidade Federal do Espírito Santo.
Seu percurso no Inpa inclui um mestrado em Entomologia e um doutorado na mesma área. Jeane atribui seu interesse na pesquisa à influência de sua orientadora, Neusa Hamada, uma renomada pesquisadora no campo dos insetos aquáticos. ‘Ela foi uma grande inspiração para mim e me motivou a aprofundar meus estudos e incentivar outras meninas a seguir a carreira científica’, destacou Jeane, que acredita no papel das mulheres em áreas científicas, incluindo o desenvolvimento de vacinas e a pesquisa sobre o coronavírus.
Rebeca Sousa e a Patologia da Madeira
Por fim, conhecemos Rebeca Sousa, uma jovem bolsista de Iniciação Científica do Laboratório de Patologia da Madeira do Inpa. Estudante de Biologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Rebeca desenvolve pesquisas sobre fungos do gênero Penicillium. Seu interesse pela ciência começou na escola, e a inspiração para seguir a Biologia se robustecia durante a pandemia, ao acompanhar as descobertas relacionadas à vacina contra a COVID-19.
Rebeca ressalta que a ciência é dinâmica e cheia de questionamentos. ‘Não é uma área estática; ela exige persistência e adaptação’, afirmou. Essa visão reflete o espírito investigativo que permeia sua formação e trajetória acadêmica.
A Participação Feminina no Inpa
De acordo com dados recentes, o Inpa conta com 452 profissionais, dos quais 57,5% são homens e 42,5% mulheres. No grupo de pesquisadores, a proporção é de 55,2% de homens para 44,8% de mulheres. Entretanto, em cargos de gestão, as mulheres superam os homens, com 52,4% dos cargos ocupados por elas.
Na pós-graduação, a situação se inverte, com 56,1% dos 540 alunos matriculados sendo mulheres. Apenas no Mestrado Profissional de Gestão de Áreas Protegidas (MPGAP) os homens são maioria, com 60% das vagas.
Essas estatísticas evidenciam a crescente presença feminina na ciência, um reflexo das histórias de vida e das conquistas de mulheres como Elizabeth, Jeane e Rebeca, que instigam novas gerações a persistirem em seus sonhos e contribuírem para o avanço da pesquisa científica na Amazônia.
