Histórias de Superação e Inovação
No último domingo (8), em celebração ao Dia Internacional da Mulher, a TV TEM destacou relatos de mulheres que estão fazendo a diferença nas áreas de ciência e tecnologia no interior de São Paulo. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a presença feminina na ciência alcançou patamares significativos, representando 52% dos pesquisadores no Brasil. Essa marca, no entanto, era bem diferente há cerca de 30 anos, quando as mulheres constituíam apenas 44% do total de cientistas no país. Atualmente, as pesquisadoras acreditam que essa proporção só tende a aumentar.
Jéssica Britto, uma pesquisadora com mais de uma década de experiência, é um exemplo desse avanço. Formada em biotecnologia pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e com mestrado e doutorado em genética e bioquímica, ela dedica seus dias ao estudo de plantas e ao desenvolvimento de projetos inovadores. “Vejo mulheres fortes, empoderadas e com vasto conhecimento. A troca de experiências entre nós é fundamental e tem fomentado inovações na pesquisa”, comentou Jéssica, que se mudou para Itapetininga há três anos e atualmente trabalha em uma empresa de tecnologia ambiental. Lá, 75% dos colaboradores são mulheres.
Empoderamento Feminino na Tecnologia
Outra iniciativa relevante é o projeto “GAT” (Garotas de TI de Itapetininga), liderado pela professora Eline Welter, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP). Desde a sua criação, há mais de um ano, o projeto busca incentivar a participação feminina na tecnologia. “Fico emocionada ao ver a empolgação das meninas em aprender sobre tecnologia. Quero facilitar o acesso delas a esse campo”, declarou Eline.
Entre os projetos promovidos pela GAT, destaca-se o aplicativo desenvolvido pela aluna Júlia Tavares de Queiroz, de apenas 15 anos. A ferramenta foi pensada para apoiar mulheres vítimas de violência doméstica, oferecendo informações sobre direitos, opções de ajuda e contatos com ONGs e unidades policiais. “O aplicativo foi criado para que as mulheres não se sintam expostas. Ele apresenta as leis de forma simples, além de um botão de emergência, que localiza a usuária e aciona a polícia mais próxima”, explicou Júlia.
Conscientização sobre Descarte de Lixo Eletrônico
Outro grupo de alunas do GAT criou um aplicativo que orienta sobre o descarte correto de lixo eletrônico. Segundo a estudante Rebecca Rosa, de 16 anos, o sistema recompensa os usuários com pontos a cada descarte, que podem ser trocados por produtos. “Celulares e pilhas contêm componentes que não devem ser jogados no lixo comum. Nosso objetivo é conscientizar as pessoas para que façam o descarte correto”, afirmou.
Robótica como Ferramenta de Inclusão
A professora Taiane Vaccas Domingues também contribui para a inclusão feminina na tecnologia ao unir ciência, programação e robótica em suas aulas. “Quando falamos de mulheres na ciência, é essencial que elas se vejam não apenas como usuárias, mas como engenheiras e pesquisadoras”, destacou Taiane.
Os frutos desse trabalho já podem ser vistos: suas alunas estão construindo robôs e desenvolvendo habilidades que podem lhe garantir um futuro promissor. Ana Clara Hanf, de 16 anos, revelou que as aulas despertaram sua paixão pela tecnologia, e ela sonha em se graduar em engenharia da computação ou ciência da computação. “Desde o sétimo ano, participei de competições que me ajudaram a descobrir meu amor por programar e construir”, compartilhou Ana Clara.
Essas iniciativas demonstram que, por meio da inclusão e do empoderamento feminino, o cenário da ciência e tecnologia no interior de São Paulo está se transformando, criando novas oportunidades e inspirando futuras gerações.
