Aposta em Reaproveitamento de Materiais Reflete a Identidade Local
Em cada criação, desde acessórios a recortes e colagens, a moda desenvolvida na periferia de Belém busca um objetivo comum: traduzir referências culturais locais em peças exclusivas. Essa proposta visa construir um diálogo entre a moda e o território, enriquecendo as vivências dos criadores.
O processo criativo se baseia na técnica de upcycling, que reutiliza materiais descartados para gerar novos produtos. Essa prática não apenas ajuda a minimizar a quantidade de resíduos, mas também abre portas para novos talentos da moda que emergem nas periferias. “Todo o processo é planejado para valorizar nossa identidade e demonstrar que podemos criar a partir do que já existe”, destaca Victoria do Rosário, CEO e idealizadora do coletivo.
A importância dessa iniciativa se torna ainda mais evidente quando se considera o impacto ambiental da indústria da moda. O Brasil é responsável por cerca de 170 mil toneladas de resíduos têxteis anualmente, mas apenas 20% desse volume é reciclável. Em uma escala global, a moda é considerada uma das indústrias mais poluentes, superada apenas pela indústria petrolífera. Nos últimos anos, mais de 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis foram descartadas mundialmente, com previsões de aumento nos próximos anos. Nesse cenário, a moda circular se destaca como uma alternativa viável ao modelo tradicional de produção e consumo.
Em Belém, vários designers estão incorporando essa filosofia em suas obras. Jomaique Melo, figurinista e designer de moda com quase uma década de atuação no mercado, utiliza materiais reaproveitados em suas criações, que combinam estética, cultura e sustentabilidade. No seu ateliê, diversas peças trazem referências da Amazônia e contam histórias ricas. Há looks elaborados com faixas de aparelhagem, jeans inspirados nas embarcações fluviais da região e criações voltadas para homenagear artistas da música paraense.
“Esta é uma maneira de reduzir o impacto ambiental e, ao mesmo tempo, criar algo com a nossa identidade”, afirma Jomaique. A iniciativa demonstra que é possível fazer moda de forma consciente, respeitando o meio ambiente e valorizando a cultura local.
