Casa Minas como Vitrine Cultural e de Negócios
AUSTIN — No endereço Rainey Street, número 88, em Austin, os visitantes da Casa Minas durante o SXSW encontrarão um toque especial do estado: café coado na hora, quitandas e pão de queijo preparados com ingredientes frescos, trazidos diretamente de Minas Gerais. Para garantir essa experiência autêntica, o governo mineiro investiu cerca de R$ 100 mil no envio de alimentos e bebidas para os Estados Unidos, marcando a estreia do estado no renomado festival.
Essa é a primeira vez que Minas Gerais apresenta uma iniciativa própria no South by Southwest (SXSW). A presença no evento foi organizada através de duas frentes: o Minas Day, que incluiu painéis na programação oficial do festival, e a Casa Minas, um espaço destinado a encontros de negócios, programação cultural e promoção do estado para investidores, startups e visitantes internacionais.
A participação de Minas neste evento emblemático representa a entrada do governo no circuito de festivais que, ao longo dos últimos anos, tem atraído diversas delegações de estados brasileiros, interessados em fortalecer seu posicionamento internacional e atrair investimentos. Em entrevista à EXAME, Bárbara Botega, secretária de Comunicação de Minas Gerais, revelou que a decisão de participar do SXSW foi motivada por uma visita de representantes do governo ao festival no ano anterior.
“Não tinha ideia da dimensão do evento. Sabia que existia, mas não compreendia sua magnitude. Assim que nos inteiramos, decidimos: vamos participar”, afirmou.
Estratégias de Presença no Festival
Para sua participação no SXSW, Minas Gerais preparou uma estrutura em dois formatos distintos. O primeiro deles foi o Minas Day, que ocorreu no dia 14 de março e apresentou quatro talks, todos parte da programação oficial do festival. Os painéis abordaram temas como transição energética, economia criativa em festivais, terras raras e minerais críticos, além de inovação e tecnologia, com a presença de especialistas e executivos internacionais.
Simultaneamente, a Casa Minas foi inaugurada na noite do dia 14 e permaneceu aberta nos dias 15 e 16 de março. Este espaço funcionou como um ponto de encontro para investidores, empreendedores e convidados, oferecendo talks e programação cultural ao longo do dia.
Com capacidade para acomodar entre 300 e 400 pessoas em diferentes ambientes, o formato menor foi intencional, buscando manter um caráter mais exclusivo nas conversas. “É uma casa menor, mais exclusiva. Não podemos receber todos ao mesmo tempo, mas queremos que aqueles que estiverem presentes consigam interagir e realizar negócios”, enfatizou a secretária.
Financiamento e Parcerias
O governo de Minas Gerais investiu entre R$ 700 mil e R$ 800 mil para financiar a curadoria do projeto, o Minas Day e a programação cultural da Casa Minas. O restante do financiamento foi viabilizado por meio de parcerias com a iniciativa privada, envolvendo cerca de 10 marcas, como Cemig, CBMM e FDG. “Temos um compromisso com a gestão eficiente dos recursos públicos, por isso contamos com o apoio de patrocinadores e empresas privadas”, comentou Botega.
A secretária ainda destacou que empresas interessadas em participar do projeto continuam a surgir, mesmo após o lançamento. “Muitas marcas expressaram interesse em se envolver, lamentando não ter participado desde o início.”
Expectativas de Negócios no SXSW
Além de promover a cultura e o turismo, a presença de Minas no SXSW foi desenhada como uma plataforma para gerar negócios. Uma comitiva composta por mais de 30 empresas e startups foi enviada ao festival, com apoio do Sebrae e outros parceiros. A programação incluiu reuniões privadas, apresentações de projetos e encontros de networking, como morning coffee, lunch and learn e almoços executivos voltados para investidores. “Estamos levando uma grande comitiva de startups para realizar apresentações de negócios durante o SXSW”, destacou a secretária.
Com isso, o governo mineiro espera um retorno financeiro significativo a partir das negociações estabelecidas no evento. “A expectativa é gerar pelo menos R$ 200 milhões em retorno”, afirmou Botega, ressaltando que esse valor pode aumentar se as negociações de projetos estratégicos avançarem. “Um único negócio fechado pode recuperar o investimento várias vezes.”
Debates sobre Minerais Críticos e Cultura Mineira
Parte da estratégia mineira consiste em destacar o estado em debates sobre minerais críticos e transição energética. A secretária mencionou três ativos que o governo pretende apresentar: o nióbio, cuja maior reserva e operação mundial está em Minas Gerais; o avanço das terras raras no sul do estado; e a exploração de lítio no Vale do Lítio, no norte mineiro. “Entendemos que o futuro das baterias e da transição energética passa por Minas Gerais”, afirmou.
Além disso, o governo buscou utilizar a Casa Minas como uma vitrine cultural do estado. A programação incluiu a exibição de um documentário sobre Milton Nascimento, apresentações de artistas como a violinista Nath Rodrigues, shows do guitarrista Toninho Horta e sets de DJs mineiros. Embora cantores como Marina Sena e Djonga tenham sido cogitados, suas participações não foram confirmadas. “Queremos abranger a economia criativa em sua totalidade — audiovisual, moda, música”, ressaltou Botega.
A Gastronomia como Cartão de Visita
O setor gastronômico foi central na estratégia de Minas no SXSW. A Casa Minas oferece, durante a manhã, café coado, quitandas, bolos, biscoitos e pão de queijo. O almoço é preparado pelo chef Ives Saliba, conhecido por seus restaurantes em Belo Horizonte, com pratos inspirados na culinária mineira. À noite, o espaço apresenta o Minas Bar, que serve petiscos elaborados pelo chef Caetano Sobrinho. “Exportamos tudo. Café, cachaça, ingredientes da culinária mineira”, destacou a secretária.
Segundo ela, a ideia é usar a gastronomia como uma forma de aproximação. “Todo bom negócio começa com um cafezinho.” A estreia no SXSW deve servir como um ponto de partida para expandir a presença do estado nos próximos anos. “Estamos começando com uma participação audaciosa. O objetivo é consolidar Minas como um destino de investimentos, inovação e turismo.”
