Crise na Saúde em Belém
A recente gestão da Prefeitura de Belém tem adotado uma abordagem peculiar, embora controversa, para afastar empresas e profissionais do serviço público. Essa prática tem se manifestado de forma intensa através da falta de pagamentos, que, segundo muitos, parece ser intencional e estratégica.
Os médicos neurologistas e neurocirurgiões do Pronto Socorro da 14 de Março, localizado no bairro do Umarizal, são as mais recentes vítimas desse cenário. Desde novembro do ano passado sem receber, esses especialistas interromperam suas atividades no dia 13 de fevereiro, o que comprometeu o atendimento de numerosos pacientes que dependem desses serviços diariamente.
Esse problema já foi denunciado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará, que acionou tanto a Defensoria Pública quanto o Ministério Público Federal. As entidades, ao tomarem ciência do caso, imediatamente solicitaram esclarecimentos à Secretaria de Saúde de Belém, conhecida como Sesma. Entretanto, até a última quinta-feira, os órgãos ainda não haviam recebido qualquer resposta.
A Narrativa da Gestão Municipal
Em meio a essa crise, a Sesma convocou uma coletiva de imprensa para apresentar sua versão dos fatos, optando por uma estratégia de comunicação que se baseia na divulgação seletiva de informações. Enquanto isso, as solicitações de esclarecimentos dos órgãos de fiscalização permanecem sem resposta. A titular da Secretaria, Dyjane Amaral, admitiu a falta de pagamento, mas justificou que não havia contrato formal com os médicos, sem se aprofundar nas razões que levaram à ausência de pagamento, mesmo com recursos disponíveis para novas contratações.
Além disso, Dyjane indicou que novos profissionais foram contratados para atuar no PSM da 14, mas não esclareceu que esses médicos trabalham em regime de plantão, em vez de sobreaviso. Essa situação é problemática, uma vez que a abordagem recomendada para emergências neurológicas estipula que especialistas devem estar de sobreaviso para garantir um atendimento ágil e eficaz.
Risco à Vida dos Pacientes
Tereza Cristina de Brito Azevedo, presidente do CRM, alertou que a mudança no regime de trabalho dos médicos compromete a capacidade de resposta em situações críticas. O tempo de espera para que um neurologista chegue à unidade em casos de emergência, como AVC ou traumatismo craniano, aumenta significativamente quando os médicos estão apenas de plantão.
Em vez de abordar essas preocupações, a Sesma se limitou a contestar os dados apresentados pelo CRM, afirmando que o PSM da 14 de Março não atende os 150 pacientes noticiados e que, entre os dias 13 e 26 de fevereiro, apenas 23 pacientes necessitaram de atendimento especializado. Contudo, não houve explicações sobre a origem do atendimento prestado a esses pacientes.
A titular da Sesma se defendeu ao afirmar que a estabilização dos pacientes foi feita por “médicos plantonistas capacitados”, mas isso não garante que um especialista estivesse presente, aumentando os riscos de complicações e agravamentos nos casos atendidos. Tereza Cristina ressaltou que “os riscos de agravamento dos casos, de sequelas e óbito são reais quando o especialista não está próximo” e criticou a gestão da saúde em Belém, afirmando que a questão não é de verba, mas sim de gestão.
Desafios da Gestão Municipal
No coração do problema, a Prefeitura de Belém continua a fazer transferências financeiras para hospitais parceiros, como a Beneficente Portuguesa e o Hospital da Ordem Terceira, tratando isso como uma solução para os casos graves que chegam ao PSM Mário Pinotti. Essa estratégia, que parece conveniente, levanta questões sobre sua viabilidade e custo-benefício em comparação com a melhor administração dos recursos próprios da saúde municipal.
Enquanto isso, o prefeito Igor Normando se mostra mais inclinado a administrar narrativas do que a buscar soluções práticas para os problemas enfrentados pela população. A gestão parece priorizar o que é mais conveniente à sua imagem, deixando de lado a transparência necessária e a resolução efetiva dos problemas de saúde que afligem a cidade.
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