Uma Visão Crítica do Cenário Global
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não poupou críticas ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma entrevista exclusiva à revista alemã Der Spiegel, publicada nesta quinta-feira, 16. De acordo com Lula, Trump não detém o título de “imperador do mundo” e sua constante ameaça de guerra contra outros países é alarmante. As declarações do líder brasileiro surgem em um momento em que ele iniciou uma viagem à Europa, que inclui uma estadia de dois dias na Alemanha.
“Trump não pode ficar ameaçando outros países com guerra o tempo todo. Precisamos colocar este mundo em ordem, que se encontra à beira de se transformar em um campo de batalha”, afirmou Lula, em resposta a perguntas sobre o futuro do multilateralismo em um mundo marcado por tensões entre as potências como China, Rússia e Estados Unidos.
Convocação para Diálogo Internacional
O presidente brasileiro também revelou que solicitou a convocação de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU com líderes como Xi Jinping, Vladimir Putin e Emmanuel Macron, a quem se referiu como “meus amigos”. O intuito da reunião seria discutir a situação conflituosa no Irã e pressionar Trump a tomar um posicionamento. No entanto, Lula informou que suas solicitações não foram levadas a sério. “É como se estivéssemos à deriva em alto mar, em um navio sem capitão”, disse ele.
Lula enfatizou que a possibilidade de Trump iniciar uma guerra no Irã não deve recair sobre os mais pobres, em especial os que habitam a África e a América Latina, que enfrentariam aumentos nos preços de alimentos básicos como feijão e carne. “O secretário-geral da ONU, António Guterres, deveria convocar uma Assembleia Geral Extraordinária imediatamente para que Trump, Putin e outros líderes prestem contas”, acrescentou o presidente.
Reforma Necessária no Conselho de Segurança da ONU
Outra questão levantada por Lula foi a necessidade de reestruturação do Conselho de Segurança. Segundo ele, o órgão deveria incluir representantes permanentes de regiões como a África e o Oriente Médio, além de um assento para o Brasil ou a Alemanha. “A Carta das Nações Unidas diz que o Conselho foi criado para preservar a paz. Como explicar que os cinco membros permanentes, que são os maiores produtores de armas, são justamente aqueles que travam guerras?”, indagou Lula. Ele citou intervenções em países como Líbia e Iraque, além dos conflitos atuais envolvendo Rússia, Ucrânia e Israel.
Ajuda a Cuba e Reeleição em Debate
Em relação a uma possível ajuda energética ao governo cubano, Lula revelou que não enviou petróleo durante a atual crise energética em Cuba, temendo repercussões negativas para a Petrobras em Wall Street, onde a empresa está listada. “Nossas relações com Cuba são tão boas que eles nos disseram para não tomar medidas que possam prejudicar o Brasil”, destacou. Ele se mostrou disposto a enviar medicamentos e alimentos, buscando maneiras de ajudar a ilha a se tornar independente do petróleo.
Durante a entrevista, Lula também abordou sua potencial candidatura à reeleição em outubro, afirmando que sua decisão depende da convenção do Partido dos Trabalhadores (PT). Ele mencionou que está se preparando para o próximo desafio político, garantindo que se encontra em plena forma para concorrer. “Quero viver até os 120 anos”, brincou Lula.
Sobre a disputa acirrada com Flávio Bolsonaro, que tem liderado as pesquisas, Lula disse que respeitará o resultado das urnas. “Em uma democracia, precisamos aceitar a escolha do povo, seja ela de direita, de esquerda ou do centro. O Brasil continuará sendo um país democrático”, afirmou, acrescentando que sua vontade é garantir uma democracia mais forte no país e rejeitar ideologias que propagam ódio e desinformação.
Viagem à Europa e Interações Culturais
A entrevista foi divulgada na véspera da viagem de Lula à Europa, onde ele visitará Espanha, Alemanha e Portugal entre os dias 17 e 21 de abril. Esse giro internacional é considerado um dos últimos compromissos do presidente antes das eleições. No domingo, dia 19, Lula participará da abertura da Feira de Hannover, o maior evento de tecnologia industrial do mundo, que terá o Brasil como país-parceiro.
A viagem anterior de Lula à Alemanha gerou comentários sobre sua aproximação com Friedrich Merz, o chanceler federal, que havia expressado contentamento ao retornar ao país. Lula, brincando, comentou sobre suas preferências culinárias durante as visitas, mencionando que gosta de experimentar salsichas de barraquinhas de rua quando está em território germânico.
