Entenda a Decisão do Banco Central
No mês de dezembro de 2025, o conglomerado Entrepay representava apenas 0,009% do total de ativos do Sistema Financeiro Nacional (SFN). A decisão do Banco Central (BC) de decretar a liquidação extrajudicial das instituições ligadas à Entrepay foi motivada pela deterioração de sua saúde econômico-financeira e by irregularidades nas normas do setor, além de prejuízos que poderiam colocar credores em uma situação de risco considerável.
Em um comunicado, o BC ressaltou que, sendo instituições de pagamento e de sociedade de crédito direto, as empresas do conglomerado não captam recursos através de instrumentos que estejam sob a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Com a liquidação extrajudicial, cabe ao Banco Central conduzir o encerramento das atividades das instituições de forma ordenada, com a finalidade de proteger os credores e garantir a estabilidade do sistema financeiro.
O BC também informou que continuará investigando as responsabilidades legais pertinentes. As investigações em andamento podem resultar em sanções administrativas e na remessa de informações a outras instituições competentes, dado o contexto de irregularidades.
Sob a alegação de que, conforme a legislação, os bens dos controladores e ex-administradores das instituições envolvidas na liquidação ficam indisponíveis, a autoridade monetária busca salvaguardar os interesses dos credores e a saúde do sistema financeiro como um todo.
Sobre a Entrepay e suas Operações
A Entrepay Instituição de Pagamento foi fundada em 2022 e se destacou como uma empresa de tecnologia focada no setor de pagamento, oferecendo serviços que vão desde o processamento até a adquirência para empresas que desejam expandir suas operações financeiras no Brasil. Com sede em São Paulo, a empresa também mantém um portal voltado para desenvolvedores, facilitando a integração de sistemas e a ampliação de sua presença no mercado digital.
Ela faz parte do Grupo Entre, um ecossistema que inclui diversas companhias de tecnologia e serviços financeiros, como Entre Investimentos, Acqio, Octa, Pmovil, Leads Securitizadora, Bcodex, e iniciativas de mídia como a IstoÉ. O grupo foi fundado por Antonio Carlos Freixo Júnior, que atua como CEO e garante que a estrutura reúne 26 companhias e cerca de 700 funcionários.
Críticas e Desafios Enfrentados
Recentemente, a Entrepay foi alvo de críticas intensas devido ao aumento de relatos de lojistas sobre atrasos no repasse de valores referentes a vendas feitas por meio de maquininhas, segundo informações do site NeoFeed. O Banco do Nordeste, parceiro da Entrepay, confirmou os atrasos, atribuindo os problemas a falhas operacionais da empresa.
No final do ano passado, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) começou a investigar possíveis irregularidades no mercado financeiro, e um dos casos estava vinculado ao grupo Entrepay. Em um processo importante, a CVM rejeitou um acordo de R$ 21,3 milhões proposto por várias empresas e executivos do conglomerado, incluindo Entre Investimentos e Banco Master. As alegações incluem operações fraudulentas relacionadas a cotas de um fundo imobiliário, e a recusa em aprovar o acordo significa que o processo legal seguirá em frente, podendo resultar em sanções severas, como multas e restrições operacionais.
Posicionamento do Grupo Entre
Em resposta à decisão do Banco Central, o Grupo Entre emitiu uma nota afirmando que estava ciente da liquidação extrajudicial da Entrepay e que estava, de maneira estruturada, conduzindo um processo de descontinuação das operações das sociedades envolvidas, dentro de uma revisão estratégica de seu portfólio. O grupo destacou a intenção de encerrar suas atividades de forma organizada, mantendo todos os serviços em funcionamento enquanto cumpria com seus compromissos.
O Grupo Entre reafirmou seu compromisso em colaborar plenamente com as autoridades competentes, garantindo que prestará todos os esclarecimentos necessários durante o processo de liquidação e, assim, minimizando os impactos para clientes e parceiros que estão envolvidos. Este cenário revela a complexidade das operações financeiras no Brasil e a importância de uma supervisão robusta para assegurar o funcionamento adequado do sistema financeiro.
