Música e Espiritualidade no Palco
Nesta sexta-feira (3), às 21h, Kiko Dinucci desembarca em Belém com o espetáculo do seu novo álbum, ‘Rastilho’. O show acontecerá na Casa Apoena, localizada no histórico bairro da Cidade Velha. A noite promete ser especial, com a abertura da talentosa cantora paraense Luê e a discotecagem do DJ Damasound. Os ingressos já estão disponíveis na plataforma Sympla, com preços a partir de R$ 40.
Essa não é a primeira vez que Dinucci se apresenta no Pará, onde mantém uma forte conexão ao longo dos anos. Em entrevista, o músico compartilhou que essa relação se aprofunda por laços familiares e experiências pessoais. “Eu tenho muita relação com o Pará porque meu filho cresceu no estado na primeira infância, depois foi para São Paulo, mas eu passei muito tempo indo ao estado”, revelou.
Além de suas visitas frequentes, Kiko destaca que as influências da música paraense são fundamentais em seu trabalho. Ele mencionou que mantém amizade com diversas figuras importantes da cena musical paraense, como Manoel Cordeiro e Felipe Cordeiro, e acredita que a produção local ocupa um espaço significativo no cenário nacional. “A história da música paraense, desde Waldemar Henrique até o tecnobrega, me influencia muito. É uma cena vibrante, capaz de mostrar ao Brasil como ser moderno e brasileiro ao mesmo tempo”, enfatizou.
Um Show Intimista e Experimental
Para a apresentação, Dinucci optou por um formato mais intimista, deixando de lado a guitarra elétrica em favor do violão. Ele explicou que o espetáculo refletirá a estrutura sonora de ‘Rastilho’. “Este é meu segundo disco solo, um trabalho inteiramente dedicado ao violão. O álbum foi lançado antes da pandemia e, no palco, busco manter a sonoridade original, com um toque percussivo e dinâmico”, comentou o artista.
O músico também ressalta que sua busca por uma linguagem própria permeia a concepção desse projeto. “É uma preocupação que eu tenho, mas também algo que desenvolvo de forma espontânea. Há tempos queria criar um trabalho dedicado ao violão, focado nas linguagens que venho desenvolvendo nos últimos anos”, explicou Kiko.
Temas Reflexivos e Estética do Álbum
O repertório das letras do álbum transita por temas como resistência, espiritualidade e o atual cenário político brasileiro. O artista destacou que o contexto em que ‘Rastilho’ foi criado influencia diretamente o conteúdo das canções. “O álbum foi concebido em um momento bastante sombrio do Brasil, e isso se reflete nas letras. Há uma carga política, mas não de forma panfletária; se apresenta de maneira natural e poética”, esclareceu.
Kiko também mencionou que sua vivência religiosa permeia sua música, trazendo elementos de espiritualidade ao seu trabalho. “Sou ogã, e isso reflete-se na presença dos terreiros na minha arte, tanto na música quanto no palco”, afirmou.
O contraste é um elemento central do álbum. “’Rastilho’ não é apenas agressividade; ele também possui momentos de doçura. Retrata um Brasil complexo, que é ao mesmo tempo belo e horrendo. A capa do disco, feita pelo fotógrafo Pablo Saborido, ilustra essa dualidade com imagens de frutas em decomposição, simbolizando um país que mistura maravilhas e horrores”, explicou.
A Circulação de Artistas na Cena Independente
A realização do show em Belém faz parte da iniciativa da produtora Se Rasgum, que busca ampliar a circulação de artistas fora do circuito tradicional de festivais. O produtor cultural Marcelo Damaso comentou que a proposta visa revitalizar o cenário musical independente. “Estamos aqui há mais de 20 anos organizando shows e movimentando a cena com artistas locais e nacionais. Notamos que, se não trouxermos esses artistas por conta própria, eles só aparecerão em festivais. Por isso, estamos retornando a um formato mais independente, estabelecendo parcerias diretas”, explicou.
Ele também ressaltou que esse modelo depende do comprometimento dos artistas. “Tudo depende de quem está disposto a participar desse jogo da cena independente. É fundamental que os artistas estejam engajados nesse circuito”, disse Damaso.
Sobre Dinucci, o produtor acredita que a trajetória do artista se alinha a essa proposta. “Kiko representa essa volta às origens. Ele traz uma força quase punk para a música brasileira, com uma linguagem única, que foge do convencional”, finalizou.
Serviço
Cantor Kiko Dinucci apresenta ‘Rastilho’
Data: sexta-feira, 3 de abril;
Horário: 21h;
Local: Casa Apoena – Cidade Velha, Belém;
Ingressos: a partir de R$ 40, disponíveis pela Sympla.
