Líder Iraniano Reafirma Resistência ao Governo Trump
O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, fez declarações contundentes nesta terça-feira (17), afirmando que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não conseguirá derrubar a República Islâmica. Em um discurso proferido em Teerã, Khamenei não hesitou em ameaçar o porta-aviões USS Abraham Lincoln, que se encontra na costa iraniana. “O presidente dos EUA alega que seu Exército é o mais potente do mundo, mas mesmo os mais fortes podem sofrer um golpe que os deixe incapazes de se levantar. O que é mais perigoso que esse porta-aviões é a arma capaz de enviá-lo ao fundo do mar”, declarou Khamenei.
A declaração ocorre em um contexto de renovadas negociações entre EUA e Irã, mediadas por Omã, com o objetivo de restringir o programa nuclear iraniano. Trump está pressionando Teerã a encerrar seus projetos nucleares, enquanto intensifica as tensões militares e as ameaças ao regime de Khamenei. O presidente norte-americano já indicou que poderá atacar o Irã caso as conversas terminem sem acordo.
Ao contrário do tom belicoso de Khamenei, Trump se mostrou ambivalente em suas declarações sobre as negociações. Em entrevista na segunda-feira, ele mencionou que estaria envolvido “indiretamente” nas tratativas, mas seguiu com ameaças ao governo iraniano na possibilidade de um desfecho negativo. “Acho que eles são maus negociadores, uma vez que poderíamos ter fechado um acordo em vez de enviar os B-2 para aniquilar o potencial nuclear deles. E nós tivemos que mandar os B-2”, comentou o presidente dos EUA a repórteres a bordo do Air Force One. Trump ainda destacou: “Não creio que eles queiram as consequências de não chegarem a um entendimento”.
Aumento da Presença Militar dos EUA na Região
Desde que intensificou sua pressão sobre o Irã, a partir de janeiro, Trump ordenou um aumento significativo da presença militar norte-americana no Oriente Médio, que inclui dois porta-aviões e diversos navios de guerra, como destróieres, além de uma frota de jatos de combate. O grupo de ataque do USS Abraham Lincoln chegou ao Mar Arábico no final de janeiro, enquanto o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald Ford, foi enviado para a região recentemente.
As negociações em curso entre EUA e Irã são cercadas de cautela, visto que as duas nações ainda enfrentam profundas divergências. Washington exige que Teerã desative seus programas de mísseis e acabe com o apoio a grupos armados na região, enquanto o regime de Khamenei está disposto a discutir apenas seu programa nuclear.
Por sua vez, a principal autoridade nuclear do Irã declarou que o país está disposto a reduzir seu estoque de urânio enriquecido em troca do fim das sanções econômicas impostas pelos EUA. Atualmente, de acordo com dados da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o Irã possui aproximadamente 440 kg de urânio enriquecido a 60%, próximo do necessário para a fabricação de uma bomba nuclear.
Possíveis Caminhos nas Negociações
O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, comentou na semana passada que o país está aberto a “inspeções” da AIEA para comprovar que seu programa nuclear é pacífico, mas deixou claro que não aceitará “exigências exageradas” provenientes de Washington.
No entanto, Trump continua a oscilar entre a esperança de um acordo e ameaças diretas ao regime de Khamenei. Na semana passada, ele prometeu tomar “medidas severas” contra o Irã caso as negociações não avancem, deslocando o USS Gerald Ford para reforçar a pressão militar sobre a nação persa.
Em meio a todo esse cenário tenso, a Guarda Revolucionária do Irã anunciou que realizará novos exercícios militares no Estreito de Ormuz, elevando ainda mais as tensões com as tropas dos EUA presentes na região. O aiatolá Khamenei, que proferiu seu discurso em 17 de fevereiro de 2026, continua a reafirmar a resiliência de seu regime em face das pressões externas.
