Estudantes como Protagonistas na Pesquisa Científica
A ciência, muitas vezes vista como uma prática exclusiva de laboratórios, ganha nova dimensão quando nasce do próprio território. Em Campo Grande, três alunas da EE Profª Maria de Lourdes Toledo Areias decidiram ir além da teoria e transformaram o bairro Recanto dos Rouxinóis em um verdadeiro laboratório de pesquisa. O projeto, parte do ‘Pictec 2025’ (Programa de Iniciação Científica e Tecnológica), é uma iniciativa da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia) do Estado de Mato Grosso do Sul, que visa incentivar a iniciação científica nas escolas públicas.
Com um investimento significativo de aproximadamente R$ 7,2 milhões, foram selecionados até 250 projetos de diversas instituições de ensino, com 175 voltados especificamente para a Rede Estadual de Ensino. Este aporte financeiro reflete a crescente valorização da pesquisa na educação básica e a necessidade de formar estudantes críticos e capazes de produzir conhecimento.
A Pergunta que Movimentou a Pesquisa
A investigação das alunas, intitulada ‘Representações Geográficas Humano-Processuais do Conjunto Habitacional Rouxinóis’, surgiu a partir de uma pergunta instigante da Geografia: como os elementos do passado permanecem presentes em um território, mesmo em meio às profundas transformações urbanas? A busca por essa resposta levou as pesquisadoras a mergulhar na análise histórica, social, ambiental e urbanística do bairro.
As alunas, identificadas como Bianca Chiavagatti, Lorena Buzaneli e Bianka Iwashita, não apenas adquiriram habilidades essenciais de pesquisa, como também desenvolveram a capacidade de interpretar mapas e realizar uma leitura crítica do espaço geográfico que as circunda. Essa experiência prática revelou que o território é um resultado complexo de processos históricos e culturais que podem ser estudados e representados através do conhecimento geográfico.
Orientação e Colaboração
A condução da pesquisa foi supervisionada pela professora Milena Bedim, que também é bolsista do programa, enquanto o professor Jean Carlos Penasso desempenhou o papel de Professor Coordenador de Práticas Inovadoras (PCPI), auxiliando na organização metodológica e na supervisão das atividades científicas. Segundo Jean, a iniciação científica na educação básica representa uma ampliação dos horizontes dos alunos, mostrando-lhes que são capazes de gerar conhecimento a partir da realidade em que vivem.
Resultados da Pesquisa
Os resultados da pesquisa incluem a produção de mapas temáticos que destacam aspectos sociais, históricos e espaciais do Recanto dos Rouxinóis, além de um material paradidático destinado ao ensino de Geografia. Todo esse conteúdo foi disponibilizado em um formato digital em um site educacional, reunindo registros fotográficos e cartográficos da região investigada.
A Relevância da Escola Pública na Produção Científica
Essa experiência reafirma a importância da Escola Pública como um espaço não apenas de aprendizado, mas também de produção de conhecimento científico. A professora Milena Pellissari ressalta que a integração da pesquisa ao cotidiano escolar demonstra que a iniciação científica não é um privilégio exclusivo do Ensino Superior. Ao olharem para seu bairro com o olhar de pesquisadoras, as alunas perceberam que a Geografia está muito além dos livros; ela se revela na vivência diária.
A diretora Adriane Bellei complementa essa visão, afirmando que a pesquisa deve começar onde os estudantes estão, no território que conhecem. “Este projeto evidencia que nossa escola não apenas ensina ciência, mas também cria oportunidades para que os alunos se tornem protagonistas do seu próprio conhecimento,” ressalta a diretora da EE Profª Maria de Lourdes Toledo Areias.
