A Abertura do Queremos! Festival
Em uma noite memorável, Gabriele Leite, uma jovem violonista paulista de 28 anos, surpreendeu o público ao abrir a sétima edição do Festival Queremos! no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro. Formada em violão clássico e radicada em Nova York desde 2021, Gabriele é considerada um dos mais promissores talentos da música brasileira, inserindo-se em uma linhagem respeitável de virtuoses do violão, que inclui ícones como Garoto, Baden Powell e Rosinha de Valença.
A apresentação, ocorrida no dia 4 de abril, foi um momento de pura magia. Gabriele, nascida em fevereiro de 1998 em Cerquilho (SP), conseguiu estabelecer uma conexão imediata com a plateia, que, na sua maioria, estava ali apenas para conhecer melhor Zeca Veloso, a atração principal da noite. No entanto, a primeira atração do festival cativou o público com sua simpatia, virtuosismo e a maneira carinhosa como interagiu durante o show.
Um Repertório Variado
O repertório de Gabriele Leite foi cuidadosamente montado, incluindo 12 composições que transitam entre os universos da música erudita e popular. Desde o início da apresentação, a violonista apresentou duas peças da pianista e compositora Lina Pires de Campos, “Prelúdio nº 2” e “Ponteio e Toccatina”, ambas do seu segundo álbum intitulado “Gunûncho”, lançado em 2025. Esse disco destaca a produção feminina no cenário da música instrumental brasileira, uma abordagem que Gabriele enfatizou durante o show.
Em um momento de reflexão, a artista comentou sobre a predominância masculina no território do violão clássico, um fato que torna ainda mais significativa sua presença e contribuição no meio. O show também incluiu a obra de Chiquinha Gonzaga, com os temas “Corta-jaca” e “Lua branca”, além de composições de Edino Krieger e Heitor Villa-Lobos, mostrando sua versatilidade e profundidade musical.
A Magia da Performance
Entre as composições, destaca-se a interpretação de “Melodia sentimental”, uma das mais conhecidas de Villa-Lobos, que Gabriele apresentou em uma suíte que incluiu outros dois temas do compositor. A mistura entre lirismo e suingue foi uma característica marcante de sua performance, que também passou por ritmos tradicionais brasileiros como coco e samba, com uma abordagem que respeitou as obras de Marco Pereira e Garoto.
Ao final da apresentação, a recepção foi calorosa. O público, inicialmente ali para ver Zeca Veloso, acabou encantado com a performance de Gabriele, que foi aplaudida de pé. O entusiasmo do público era palpável, refletindo a conexão estabelecida pela instrumentista durante seu show. Gabriele Leite se firmou não apenas como uma promessa, mas como uma verdadeira referência no cenário do violão brasileiro contemporâneo.
