Oportunidades e Desafios do FNO nos Últimos 20 Anos
No início de março de 2026, em um evento realizado em Belém (PA), foi lançado o livro intitulado “Políticas públicas e desenvolvimento da região Norte: a atuação do Banco da Amazônia”. Esta obra é fruto de uma pesquisa elaborada pelo Instituto de Políticas Públicas e Desenvolvimento Sustentável (IPPDS) da Universidade Federal de Viçosa (UFV). O evento, que teve lugar no Centro Cultural Banco da Amazônia, contou com a presença de autoridades e representantes do setor produtivo da região, todos reunidos para analisar e discutir os resultados dessa pesquisa significativa.
Durante o encontro, o professor Marcelo José Braga, coordenador do projeto e editor do livro, apresentou os dados, metodologias e as principais conclusões do estudo, que foca no Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO). Esta iniciativa é considerada uma das principais políticas de crédito regional do governo federal, visando impulsionar o desenvolvimento econômico na Amazônia. O grupo de autores do livro inclui professores dos departamentos de Economia, Economia Rural e Administração da UFV, que contribuíram com suas expertises.
Os resultados revelaram que o crédito voltado para atividades produtivas sustentáveis tem desempenhado um papel crucial na diminuição da pressão sobre a floresta, promovendo práticas de produção mais eficientes. O professor Braga destacou: “A obra oferece uma visão abrangente do FNO como uma política pública de desenvolvimento regional que, nos últimos anos, se firmou como um ativo fundamental para dinamizar cadeias produtivas, gerar empregos e renda, além de diminuir desigualdades territoriais”.
A pesquisa, que foi financiada pelo Banco da Amazônia, analisa uma variedade de indicadores econômicos, sociais e ambientais relacionados à aplicação do fundo ao longo das duas décadas. Com uma estrutura organizada em cinco capítulos, o livro também traz recomendações e reflexões sobre as lições aprendidas durante o processo.
A análise apresentada vai além da simples mensuração de resultados, integrando as dimensões de eficiência, eficácia e efetividade do FNO. O professor Braga enfatizou os efeitos positivos que o fundo tem gerado, tanto para a economia local quanto para a preservação ambiental. “O acesso ao crédito impede que o agricultor realize novos desmatamentos e o leva a adotar inovações que aumentam a produtividade, reduzindo assim a necessidade de expansão das áreas cultiváveis”.
Além disso, o FNO Verde, uma vertente do fundo, é voltado para o financiamento de projetos que buscam aliar produção e conservação ambiental. Esse segmento apoia iniciativas de agricultura familiar sustentável, manejo florestal, agroindústria, piscicultura, recuperação de áreas degradadas e geração de energia renovável. A estratégia é estimular cadeias produtivas que estejam alinhadas com a bioeconomia e a transição para uma economia de baixo carbono na Amazônia, refletindo um compromisso com a sustentabilidade e o futuro do meio ambiente na região.
