Problemas que Atrasam a Eleição
A eleição presidencial no Peru enfrentou sérios contratempos, forçando os eleitores a aguardar até a próxima segunda-feira, dia 13, para conhecerem os resultados. O processo, realizado neste domingo, 12, foi impactado por falhas logísticas que impediram muitos cidadãos, tanto no país quanto no exterior, de exercer seu direito ao voto.
Como resultado direto desses problemas, as autoridades eleitorais decidiram permitir que cerca de 63.300 moradores de Lima realizem a votação na segunda-feira. Essa extensão foi anunciada logo após o início da contagem dos votos na noite de domingo e inclui também peruanos registrados para votar em locais como Orlando, na Flórida, e Paterson, em Nova Jersey.
Vale lembrar que a votação é obrigatória para aqueles com idades entre 18 e 70 anos. O não comparecimento pode acarretar em multas que podem chegar a US$ 32, o equivalente a aproximadamente R$ 160,71.
Candidatos em Disputa
Entre os 35 candidatos que disputam a presidência, destacam-se nomes como um ex-ministro, um comediante e uma herdeira política. Durante a madrugada de segunda-feira, mais de 42% das urnas já haviam sido apuradas, com Keiko Fujimori liderando a contagem inicial, seguida de Rafael López Aliaga. A diferença para o terceiro colocado, Jorge Montesinos, é bastante estreita.
Um segundo turno parece ser uma possibilidade quase certa, dada a divisão significativa do eleitorado e a quantidade de candidatos, a maior já registrada na história política do Peru. Para ganhar no primeiro turno, um candidato precisa obter mais de 50% dos votos.
Contexto de Descontentamento Social
Essas eleições ocorrem em um cenário desafiador, marcado pelo aumento da criminalidade e por escândalos de corrupção que geram um forte descontentamento entre os eleitores. Muitos cidadãos consideram a maioria dos concorrentes como desonestos e despreparados para o cargo.
Em resposta a essa inquietação, diversos candidatos apresentaram propostas amplas, incluindo a construção de grandes prisões e a reintrodução da pena de morte para crimes graves.
Votação e Representação Política
Mais de 27 milhões de pessoas estão aptas a votar, sendo que aproximadamente 1,2 milhão delas se encontram no exterior, especialmente nos Estados Unidos e na Argentina. Além de escolher o próximo presidente, os eleitores terão a responsabilidade de selecionar membros para um Congresso bicameral pela primeira vez em mais de três décadas, após recentes reformas legislativas que conferem um poder significativo à nova câmara alta.
Cenário Eleitoral e Candidatos Principais
Os três principais candidatos, todos alinhados à direita, são Keiko Fujimori, Carlos Álvarez e Rafael López Aliaga. Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, surgiu com 15% das intenções de voto, segundo a pesquisa da Ipsos-Peru 21. Esta é a quarta vez que tenta o cargo, evidenciando uma base eleitoral fiel, mas também a dificuldade do fujimorismo em oferecer novas alternativas.
Logo atrás, Carlos Álvarez, um humorista que se autodenomina um “outsider”, aparece com 8%. Ele propõe uma agenda radical, incluindo a pena de morte e a retirada do país da Convenção Americana de Direitos Humanos.
Em terceiro lugar, Rafael López Aliaga, ex-prefeito de Lima, representa uma direita ultraconservadora e é conhecido por sua postura católica rígida, afirmando que se autoflagela para resistir a tentações. Por sua vez, Ricardo Belmont, empresário e ex-prefeito de Lima, está empatado tecnicamente com Álvarez e Aliaga, segundo algumas pesquisas.
A fragmentação dos votos é um tema preocupante, pois o novo Parlamento formado a partir dessas eleições poderá ser composto por pequenos grupos, o que dificulta a formação de uma maioria estável para o próximo presidente.
Um Histórico de Crises Políticas
O Peru tem experimentado uma instabilidade política significativa, com nove presidentes em uma década — três eleitos e sete interinos. O novo presidente será o décimo em um período marcado por escândalos de corrupção, onde todos os líderes eleitos neste século enfrentaram processos legais, incluindo um que tentou um autogolpe.
Um exemplo curioso ocorreu com o penúltimo presidente, José Jerí, cujos retratos oficiais foram finalizados na semana de sua destituição, entregues minutos após o Congresso votar seu impeachment. Um retrato que mal chegou aos ministérios, enquanto ele já havia deixado o cargo.
