Desafios da Rejeição nas Eleições de 2026
A mais recente pesquisa da Genial/Quaest, divulgada na última quarta-feira (11), reforça uma percepção crescente nas eleições presidenciais: a escolha do eleitor pode ser pautada mais pela rejeição aos candidatos do que por suas qualidades. O estudo, realizado com 2.004 eleitores no estado entre os dias 5 e 9 de fevereiro, apresenta uma margem de erro de 2 pontos percentuais.
No centro das atenções estão Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), principais concorrentes da disputa, ambos com altos índices de rejeição. Lula apresenta uma taxa de 54% de eleitores que afirmam não votar nele, enquanto Flávio se aproxima com 55%, evidenciando o sentimento negativo que permeia essa eleição.
A ascensão de Flávio Bolsonaro tem gerado surpresas, mas seus avanços têm limites bem definidos. O senador carioca se destaca como a figura central da direita, absorvendo a maior parte dos votos de seu pai, Jair Bolsonaro, e reduzindo a diferença em relação a Lula, que, por sua vez, ainda mantém uma vantagem considerável.
Entretanto, a candidatura de Flávio enfrenta um grande obstáculo: um “teto baixo” que limita seu crescimento. Apesar de contar com a lealdade de um grupo sólido de bolsonaristas e apoio de parte do eleitorado mais conservador, ele encontra resistência significativa entre aqueles que rejeitam a ideologia e o estilo de governo bolsonarista. Isso cria um cenário em que seu potencial de ampliação do eleitorado é restrito, exigindo uma habilidade para romper essa barreira sem comprometer sua identidade política.
Lula, por outro lado, continua a liderar tanto nas simulações de primeiro quanto de segundo turno, evidenciando uma base de apoio historicamente consolidada. No entanto, sua alta taxa de rejeição atua como um limitador, dificultando uma expansão mais abrangente de seu eleitorado.
Além disso, a avaliação do governo Lula mostra uma resiliência preocupante, com um número maior de brasileiros desaprovando sua gestão do que aqueles que a apoiam, embora a diferença esteja dentro da margem de erro. Isso se traduz em Lula sendo o menos rejeitado entre os principais concorrentes, e não necessariamente o mais admirado.
Os dados da Quaest indicam que não há nenhum candidato com um “teto” confortável capaz de vencer a eleição de forma isolada. O dilema da direita é claro: ela pode se unir em torno de Flávio Bolsonaro, mas enfrentará o custo da rejeição significativa que seu nome carrega entre os eleitores moderados. Para Lula, o desafio está em converter sua liderança nas pesquisas em votos reais em outubro, sem abrir espaço para o crescimento do antipetismo que também se manifesta no país.
Com a campanha eleitoral se intensificando nos próximos meses, o governo aposta em duas frentes: aumentar as entregas em políticas sociais para conquistar o eleitorado de menor renda, enquanto investe na desconstrução da imagem de Flávio Bolsonaro, adotando uma estratégia que combina uma agenda positiva com um embate direto contra seu principal rival.
Dessa forma, a eleição de 2026 pode se delinear como um pleito motivado mais pela rejeição do que pela empolgação. Nos meses seguintes, os candidatos estarão menos envolvidos em conquistar corações e mais focados em serem vistos como a opção “menos pior” aos olhos do eleitor. Nesse contexto, aqueles que conseguirem manter um desempenho estável e com pouca variação nas pesquisas podem sair na frente.
