Interdição Afeta o Tráfego na Avenida Júlio César
A desmontagem da passarela na Avenida Júlio César, em Belém, provocou uma série de transtornos para motoristas e pedestres. Com o bloqueio da via, motocicletas e até carros invadiram o espaço interditado, acessando o meio-fio e o canteiro central da obra, onde circulavam ciclistas, pedestres e operários. A interdição, que afetou o tráfego no sentido da Avenida Pedro Álvares Cabral, uma importante rota de acesso ao centro da cidade, gerou congestionamentos desde as primeiras horas da manhã.
Pela manhã, por volta das 8h, a ausência de agentes de trânsito no local deixou os condutores sem orientação, complicando ainda mais a situação. A confusão foi exibida ao vivo durante o programa Bom Dia Pará, destacando a gravidade do problema.
O bloqueio não apenas dificultou o deslocamento dos motoristas que utilizam a Avenida Júlio César, mas também afetou o acesso ao Aeroporto Internacional de Belém, que depende dessa via movimentada.
Nota Oficial e Medidas de Segurança
A Secretaria de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade de Belém (Segbel) emitiu uma nota esclarecendo que a interdição temporária da avenida foi uma medida necessária para garantir a segurança da comunidade enquanto a passarela sobre o canal São Joaquim estava em processo de desmontagem. A nota enfatizou que a operação foi planejada e contou com sinalização adequada, além de agentes de trânsito no local para orientar os motoristas e organizar o fluxo nas rotas alternativas.
A passarela em questão, que possui um vão central de aproximadamente 36 metros, começou a ser desmontada na noite de terça-feira e havia sido interditada na última sexta-feira (6) devido ao risco de queda constatado por especialistas.
Desmontagem e Análise Estrutural
O desmonte da passarela, parte das obras do Parque Urbano Igarapé São Joaquim, está diretamente relacionado aos compromissos da Prefeitura de Belém para a realização da COP 30, evento que não ocorreu conforme o cronograma esperado. O tráfego na Avenida Júlio César foi bloqueado em ambos os sentidos, desde a Pedro Álvares Cabral até o Conjunto Bela Vista, a partir das 20h de terça-feira, com previsão de liberação em até 24 horas após o término da desmontagem.
Segundo Isaias Reis, diretor de Transporte da secretaria, 16 agentes foram mobilizados para pontos estratégicos visando minimizar os impactos no trânsito. “Agentes estarão presentes nos acessos a partir do viaduto da Pedro Álvares Cabral, no Conjunto Bela Vista e na subida do elevado pela Centenário. O desvio principal será feito pelas avenidas Almirante Barroso e Artur Bernardes”, explicou.
Garantia de Segurança e Monitoramento da Estrutura
A desmontagem será realizada com guindastes de grande porte, e as peças da passarela serão levadas para análise técnica. Arnaldo Dopazo, titular da Seinfra, garantiu que a estrutura permanece estável e sob monitoramento constante por técnicos. “Decidimos agir de forma preventiva. A prioridade é assegurar que, quando a passarela for reinstalada, ela ofereça segurança total para os pedestres”, afirmou.
O secretário também ressaltou que a remoção foi uma decisão conjunta com o Consórcio Igarapé São Joaquim, encarregado da obra. O município assegurou que todos os custos relacionados à desmontagem, transporte e eventuais reforços estruturais serão arcados pelo consórcio, sem ônus para a Prefeitura.
Histórico de Problemas da Passarela
Vale destacar que essa não é a primeira vez que a passarela enfrenta problemas. Desde sua instalação em outubro de 2025, já houve incidentes, como o quase empecilho de uma carreta que ficou presa sob a estrutura. Esse problema levou à necessidade de ajustar a altura da passarela de 4,5 para 5,2 metros, visando evitar novos acidentes.
Após a interdição mais recente, a Prefeitura instaurou um procedimento administrativo para investigar as causas e responsabilidades técnicas do consórcio responsável pela obra.
O Parque Urbano Igarapé São Joaquim
O Parque Urbano Igarapé São Joaquim é uma das obras prometidas para a COP 30, abrangendo uma extensão de 5 km, da Avenida Júlio César, no bairro da Marambaia, até as margens da Baía do Guajará, atravessando seis bairros em Belém. Com um orçamento estimado em R$ 173 milhões, sendo R$ 150 milhões oriundos da Itaipu Binacional e R$ 23 milhões da Prefeitura, a obra é gerida pela Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan).
