Fortalecendo a Pesquisa nas Unidades de Conservação
A produção científica nas unidades de conservação estaduais da Região Metropolitana de Belém ganhou um novo espaço com a primeira edição do ciclo de palestras “Ciência na Floresta”. Promovido pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), através da Gerência da Região Administrativa de Belém (GRB), o evento inaugural ocorreu na quinta-feira (26) no auditório do órgão em Belém. O encontro reuniu pesquisadores, estudantes e profissionais da área ambiental para discutir a “Biodiversidade da Flora do Parque do Utinga”.
A palestra de abertura ficou a cargo do professor doutor Leandro Ferreira, um respeitado pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG). Durante sua fala, ele apresentou os frutos de anos de pesquisa realizadas no Parque Estadual do Utinga Camillo Vianna e em outras áreas protegidas do Estado. A exposição destacou a rica diversidade de flora do parque, os avanços nos inventários botânicos e a importância dessas pesquisas para o manejo e a conservação da biodiversidade na Amazônia.
Divulgação Científica e Colaboração Interinstitucional
O projeto, conduzido pela GRB, prevê a realização de encontros mensais que reunirão pesquisadores e especialistas, com o objetivo de consolidar um fórum interdisciplinar voltado à divulgação científica e à discussão sobre sustentabilidade. A iniciativa busca democratizar o acesso aos dados e estudos gerados nas unidades de conservação, estabelecendo conexões entre instituições de ensino, setor produtivo e sociedade civil em busca de soluções inovadoras e sustentáveis.
Frente aos crescentes desafios climáticos, o “Ciência na Floresta” destaca a importância de estreitar a relação entre ciência, sociedade e gestão pública. Em alinhamento com a Agenda 2030, o projeto dialoga com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 4 – que visa promover a Educação de Qualidade, ao fomentar a alfabetização científica e a conscientização ambiental. Além disso, está em sintonia com o ODS 17 – que preconiza Parcerias e Meios de Implementação, fortalecendo redes de cooperação entre instituições e comunidades.
A importância do Encontro para a Difusão do Conhecimento
Durante sua apresentação, Leandro Ferreira enfatizou a relevância do encontro para ampliar o alcance das pesquisas nas unidades de conservação. Ele afirmou que a troca de experiências é vital para a disseminação das informações geradas ao longo dos anos, especialmente no Parque do Utinga e na Área de Proteção Ambiental (APA) de Belém. Isso não só amplia o reconhecimento sobre o valor estratégico dessas áreas protegidas, mas também enriquece a discussão sobre a biodiversidade.
O pesquisador também sublinhou que as unidades de conservação desempenham um papel crucial na preservação da biodiversidade e no manejo sustentável dos recursos naturais, citando estudos realizados em áreas como o Parque Estadual do Utinga, a APA de Belém, o Refúgio de Vida Silvestre Metrópole da Amazônia e o Parque Estadual da Serra dos Martírios-Andorinhas. Esses estudos evidenciam a diversidade de espécies registradas, principalmente em regiões de transição entre biomas.
Participação Comunitária e Monitoramento da Flora
Aproveitando a ocasião, o pesquisador lançou o projeto “Observadores da Flora do Utinga”, que visa mobilizar os visitantes do parque a fotografar flores e frutos encontrados durante as trilhas. Essas imagens serão enviadas à equipe técnica para identificação das espécies. Inspirada em iniciativas voltadas para observadores de aves, essa proposta busca estimular o monitoramento participativo e fortalecer o sentimento de pertencimento e conservação ambiental.
De acordo com Júlio Meyer, gerente da Região Administrativa de Belém do Ideflor-Bio, o ciclo de palestras representa um avanço estratégico na consolidação das unidades de conservação como centros de produção e disseminação do conhecimento. “O ‘Ciência na Floresta’ reafirma nosso compromisso em transformar dados científicos em políticas públicas e ações concretas. Ao estabelecer esse espaço permanente de diálogo, fortalecemos a gestão das unidades de conservação e ampliamos a participação da sociedade na construção de soluções sustentáveis para a Amazônia”, declarou.
A analista ambiental do Ideflor-Bio, Sabrina Campos, também destacou o caráter formativo da iniciativa. “Nosso objetivo é criar um ambiente acessível e contínuo de aprendizado, que dialogue com estudantes, profissionais e comunidades vizinhas. Quando a ciência se torna acessível e participativa, ela se transforma em uma poderosa ferramenta de transformação social e valorização do nosso patrimônio natural”, enfatizou.
Com o lançamento do “Ciência na Floresta”, o Governo do Pará, por meio do Ideflor-Bio, reforça a integração entre pesquisa, gestão ambiental e sociedade, ampliando o entendimento sobre a biodiversidade e contribuindo para a conservação das unidades de proteção no Estado.
