Desfile do Grupo Um Agita a Aldeia Amazônica
Na noite do último sábado, 7 de fevereiro, as escolas de samba do Grupo Um tomaram conta do corredor da folia na Aldeia Amazônica, localizada no bairro da Pedreira, em Belém (PA). A programação, organizada pela Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), teve início por volta das 22h e contou com a participação de sete agremiações, todas em busca de duas vagas para o Grupo Especial.
Com enredos que celebraram a cultura amazônica, a religiosidade e a identidade popular, as escolas entraram na avenida prontas para encantar o público e conquistar os jurados. O clima festivo foi marcado por homenagens a personalidades históricas do Pará e uma exaltação às raízes culturais da região.
O superintendente da Secult, Aiuá Reis, destacou a importância da competição: “Hoje é o desfile do primeiro grupo, abaixo do Grupo Especial. Das sete escolas que desfilam, duas conquistarão o acesso ao principal grupo do Carnaval. A apuração ocorrerá na terça-feira, 10, começando pelo grupo de avaliação”.
Império Jurunense: A Ancestralidade como Tema
A Associação Carnavalesca Império Jurunense foi a primeira a pisar na passarela, apresentando o enredo “Princesinha do Vale do Acará: Onde a Ancestralidade floresce em União e Força”. Inspirada na história de Concórdia do Pará, a agremiação destacou a trajetória de emancipação da cidade e valorizou elementos da cultura local.
Sérgio Moraes, presidente da escola, enfatizou a proposta de um carnaval com identidade regional: “Diferente de outros carnavais que tentam replicar os modelos do Rio de Janeiro e São Paulo, nós optamos por celebrar o que é nosso, o que temos de melhor”.
Ele acrescentou que a escolha de Concórdia dialoga diretamente com a história da própria escola: “Assim como Concórdia, nós lutamos pela nossa emancipação e queremos mostrar a força da nossa cultura”. A escola contou com cerca de 850 brincantes, integrando a comunidade de Concórdia aos participantes de Belém.
Homenagem às Crianças com Coração Jurunense
Na sequência, a Associação Carnavalesca Coração Jurunense apresentou o enredo “Erê, a Encantaria de Brincar no Coração Jurunense”, uma celebração às crianças encantadas das religiões afro-brasileiras. Mário do Espírito Santo dos Santos, presidente da escola, destacou que o tema reflete valores de amor e paz.
Os erês, entidades espirituais com energia infantil, foram representados no desfile por meio de alegorias coloridas e elementos lúdicos, ressaltando a alegria e a espontaneidade que caracterizam o universo infantil.
Piratas da Batucada e a Mística da Noite
O Grêmio Recreativo Escola de Samba Piratas da Batucada também marcou sua presença no desfile, apresentando um enredo que enfatizava os mistérios da noite. Edmilson Pereira, vice-presidente da agremiação, explicou que a proposta retratou a criação da noite e suas narrativas.
A escola trouxe cinco alas e cerca de 700 brincantes, homenageando os trabalhadores que atuam durante a noite e explorando o tema das lendas noturnas.
Mocidade Olariense e a Devoção a Iemanjá
A quarta escola a se apresentar foi a Mocidade Olariense, que homenageou a rainha do mar, Iemanjá, com o enredo “Odoyá, salve a Rainha do Mar”. Jair Nazareno Rodrigues Lima, presidente da escola, falou sobre a importância da Orixá e como as alegorias destacaram a riqueza do universo marinho.
Guardiões do Samba e a Reflexão sobre o Brasil
A Escola de Samba Guardiões do Samba também fez sua apresentação, com um enredo que provoca uma reflexão sobre as diversas realidades do Brasil. Vera Pampolha, integrante da diretoria, comentou sobre a união da comunidade na construção do desfile, ressaltando a importância da escola na valorização do samba e da cultura local.
Rancho Não Posso Me Amofiná e a Música Popular
Encerrando as apresentações, o Grêmio Recreativo Jurunense Rancho Não Posso Me Amofiná trouxe um enredo sobre a musicalidade popular do Pará. Com o samba-enredo “Amazônia, Uma Epopeia de Coragem e Preservação: Belém, Capital Mundial do Brega”, a escola celebrou a importância do brega paraense e seus grandes artistas.
Alegria Alegria e a Trajetória de Hélio Gueiros
Fechando a noite, a Associação Carnavalesca Alegria Alegria prestou uma homenagem ao ex-governador Hélio Gueiros com o enredo “Alegria, Alegria! O Povo Canta Hélio Gueiros, Cem Anos de Amor pelo Pará”. A apresentação trouxe à tona a história e a cultura paraense, estruturada como um grande livro, onde cada setor representou um capítulo da vida do político.
