Um encontro histórico no teatro brasileiro
O palco do Teatro Sesc Ginástico, no Rio de Janeiro, será cenário para a estreia de As Marias de belém do pará – Somos Todos Marias, uma comédia musical que junta oito grandes nomes do teatro nacional em uma homenagem à memória, à cultura e à força feminina. Pela primeira vez, Beth Mendes, Ítala Nandi, Yvonne Hoffman, Maria Pompeu, Mariah da Penha, Veluma Nunes, Joana Fomm e Hildegard Angel dividem o mesmo espetáculo, conduzindo o público a uma viagem que mistura histórias pessoais, religiosidade, música e ancestralidade, com a capital paraense como pano de fundo.
Celebrando a cultura paraense e a arte cênica
O espetáculo, idealizado e dirigido por Eduardo Barata, que tem raízes profundas na cultura do Pará, transforma as memórias do elenco em poesia e reafirma o teatro como espaço vital de encontro e celebração. A estreia está marcada para o dia 14 de agosto, às 19h, e a peça ficará em cartaz até 13 de setembro, na Avenida Graça Aranha, 187, no Centro do Rio. Além do texto primoroso, coescrito por Elaine Moreira, o espetáculo destaca-se pelas atuações impecáveis dessas atrizes experientes, que dão vida a personagens cheias de charme e talento.
Personagens e histórias que atravessam gerações
Com idades que variam dos 66 aos 90 anos, as atrizes cantam e dançam ao som da cultura paraense, incluindo referências ao Carimbó e músicas como a “Ave Maria”, interpretada por Fafá de Belém, além de “Andança”, de Eduardo Souto. Hildegard Angel resume a essência do espetáculo: “é uma síntese do Brasil, de todas nós, Marias, que entoam cânticos, riem e choram no país, em uma proposta ampla, tocante e delicada.”
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O cenário do Garalhufas e as tramas do cotidiano
A trama se desenrola em um condomínio em Copacabana, bairro conhecido internacionalmente e também por sua longevidade populacional. O Garalhufas, residência das personagens, funciona como microcosmo das grandes questões nacionais, com moradores que evocam figuras políticas brasileiras, entre eles Dilma, Jefferson, Temer e Cunha. É nesse cenário que as histórias reais das atrizes se entrelaçam com homenagens a pioneiras do teatro e com situações cômicas e dramáticas, como a viuvez da síndica vivida por Beth Mendes.
Ligação afetiva com o Pará e a cultura amazônica
O diretor Eduardo Barata, descendente de paraenses, constrói uma narrativa que conecta gerações e dialoga com suas próprias raízes, desde a Ilha do Marajó até o contexto carioca. Elementos culturais como a procissão de Nossa Senhora de Nazaré, o Círio de Nazaré e artesanato local — cerâmica marajoara e barcos de miriti — compõem o cenário, enriquecendo a experiência do público.
Trajetórias marcantes das atrizes no palco
Ítala Nandi, atriz e professora, retorna aos palcos com energia e versatilidade, enquanto Joana Fomm, conhecida por seu papel na novela “Tieta”, faz uma participação especial. Maria Pompeu, que esteve afastada do teatro por dez anos, traz humor e reflexão sobre o envelhecimento. A presença de Beth Mendes é um destaque, com sua trajetória que inclui mais de 40 filmes e séries, além de uma atuação política significativa como deputada federal e constituinte.
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Participações especiais e legado artístico
Hildegard Angel, que participou da primeira versão de “Selva de Pedra”, e Yvonne Hoffman, reconhecida por estreias em peças como “Marat-Sade” e trabalhos na televisão desde 1967, também enriquecem o elenco com suas presenças marcantes. Maria Pompeu, com sua história que inclui cinema, televisão e teatro, ex-vedete e ícone cultural, impressiona pelo vigor e talento.
Representatividade e diversidade na arte
Veluma Nunes, ex-modelo e pioneira na valorização da cultura afro-brasileira nas passarelas, soma sua representatividade ao espetáculo, tendo participado de novelas, cinema e teatro. Mariah da Penha, que iniciou na televisão em “Dona Beija” e teve trabalhos recentes na Globo, também integra o elenco, trazendo uma conexão com as novas gerações e a valorização da cultura local e ancestral.
Espetáculo que une gerações e celebra a identidade cultural
Além das oito atrizes principais, o espetáculo conta com a participação de outros 26 artistas, formando um conjunto que emociona e encanta, resgatando a memória brasileira e paraense. As Marias de Belém do Pará – Somos Todos Marias é uma produção que reforça o poder da arte em unir diferentes gerações, celebrar a diversidade cultural e promover o encontro entre passado e presente.
