Contexto da Indicação de Jorge Messias
A sabatina de Jorge Messias, indicado por Luiz Inácio Lula da Silva para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), pode ser adiada para após as eleições, conforme informações que circulam no Palácio do Planalto. A decisão sobre a nova data está nas mãos de Davi Alcolumbre, presidente do Senado, que, segundo aliados, só irá se manifestar após uma reunião presencial com Lula. Entretanto, esse encontro parece distante, aumentando a tensão em torno do processo de aprovação.
Dentro do círculo próximo a Lula, há uma percepção de que Alcolumbre se encontra isolado, especialmente em meio às investigações que envolvem o Banco Master e a crescente pressão para a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). Para tentar minimizar essa pressão, Alcolumbre esvaziou o Senado, que, nas últimas semanas, tem funcionado em um modelo semipresencial, sem grandes pautas que possam gerar impactos políticos significativos.
A Rivalidade Política e o Papel de Alcolumbre
A escolha de Jorge Messias, feita por Lula em novembro do ano passado, não foi bem recebida por Alcolumbre, que tinha preferência pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga deixada pela aposentadoria de Luís Roberto Barroso. Diante da resistência que surgiu em relação a Messias, o governo optou por não formalizar a indicação, o que resultou no cancelamento da sabatina que estava agendada para 10 de dezembro, irritando Alcolumbre.
Alcolumbre, em uma estratégia calculada, tentou dar a Messias um tempo muito curto para conseguir os votos necessários no Senado, planejando apenas duas semanas para que ele pudesse visitar os gabinetes dos senadores.
A crise entre Alcolumbre e o governo se intensificou, levando o presidente do Senado a romper relações com Jaques Wagner (PT-AP), que é o líder do governo na Casa. Alcolumbre alegou que Wagner teve um papel ativo na promoção da indicação de Messias, que já havia atuado em seu gabinete.
Reuniões e Diálogos Entre Lula e Alcolumbre
Recentemente, em 7 de dezembro, Lula se reuniu na Granja do Torto com os senadores Renan Calheiros (MDB-AL) e Eduardo Braga (MDB-AM), onde discutiram a situação da indicação de Messias. Ambos insistiram que a solução do impasse só deverá ocorrer após um encontro direto entre Lula e Alcolumbre. Dois dias depois, Lula fez uma ligação para Alcolumbre, agradecendo pelo apoio na votação do Orçamento de 2026, mas o tema da indicação de Messias não foi abordado.
No início de março, Lula e Alcolumbre voltaram a dialogar, novamente sem agendar um encontro. Alcolumbre, em suas declarações públicas, expressou a expectativa de ser procurado por Lula para discutir a situação.
Expectativas em Relação à Sabatina
Se a sabatina ocorrer, espera-se que Jorge Messias enfrente um tempo maior de espera do que André Mendonça, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Mendonça teve uma espera de mais de quatro meses até ser votado no Senado, um atraso que também foi atribuído a Alcolumbre, na época presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Esse período de espera, que chegou a 141 dias, gerou controvérsias e tentativas de Alcolumbre de persuadir Bolsonaro a indicar Augusto Aras, que era o procurador-geral da República na época. Agora, a bola está com o governo que, a partir da oficialização da indicação de Messias em 20 de novembro de 2025, aguarda 119 dias para enviar a mensagem ao Senado, buscando evitar a rejeição do indicado por parte de Alcolumbre.
