União Estratégica para Fortalecer o Setor Oncológico
A Fleury e a Porto Seguro estão em negociações para desenvolver uma nova empresa que agregará as clínicas de oncologia pertencentes à Oncoclínicas, com um planejamento que pode incluir a assunção de parte das dívidas da empresa, limitadas a R$ 2,5 bilhões. Para viabilizar esse projeto, ambas as entidades planejam um investimento conjunto de R$ 500 milhões, mantendo o controle do novo empreendimento em suas mãos. Contudo, ainda não foram divulgados os pormenores sobre como essa divisão de controle será executada.
De acordo com um comunicado do grupo Fleury ao mercado, a proposta abrange também um “empréstimo” que poderá se converter em participação na nova companhia no futuro. Esse montante adicional também seria de R$ 500 milhões, com um prazo de até quatro anos e rendimento vinculado ao CDI, a taxa de juros básica do mercado.
Atualmente, todo o processo está na sua fase preliminar, com as empresas tendo um prazo de 30 dias para negociações dos termos finais. Além disso, a concretização do negócio está sujeita a análises internas, auditorias e à aprovação de órgãos reguladores. O Fleury enfatizou que, até o momento, nenhum acordo definitivo foi formalizado.
Vale ressaltar que essa negociação se dá em um contexto de tratativas que tiveram início no começo do mês. Em 13 de março, a Oncoclínicas e a Porto Seguro haviam estabelecido um acordo preliminar voltado à criação da nova empresa que concentraria as clínicas de oncologia do grupo. O plano inicial previa que a Porto investisse R$ 500 milhões, assumindo um papel decisório com uma participação mínima de 30% na nova estrutura. Este acordo poderá atingir um montante total de R$ 1 bilhão.
A Oncoclínicas, que possui mais de 140 unidades espalhadas pelo Brasil, enfrenta desafios financeiros substanciais, com dívidas que ultrapassam os R$ 4 bilhões. Nos últimos doze meses, as ações da Oncoclínicas, com o código ONCO3 na B3, registraram uma queda acentuada de 71,21%. O valor de mercado da empresa atualmente está em torno de R$ 2,1 bilhões.
Essa deterioração do quadro financeiro foi intensificada pela crise envolvendo o Banco Master, um dos principais acionistas da Oncoclínicas. A proposta que está em discussão visa permitir que a Oncoclínicas, por meio da criação de uma nova subsidiária, consiga renegociar suas dívidas, oferecendo aos credores a possibilidade de transformar os valores devidos em participação no novo empreendimento.
