Perspectivas de Conflito no Irã
Em uma recente entrevista à emissora norte-americana NBC, o chanceler iraniano Abbas Araghchi revelou que o Irã está em alerta para uma possível invasão terrestre por tropas dos Estados Unidos. A declaração foi divulgada nesta quinta-feira (5), em meio a crescentes tensões entre as nações.
Na sequência, nesta sexta-feira (6), a Guarda Revolucionária Islâmica anunciou que o país está preparado para enfrentar uma guerra prolongada. Especialistas acreditam que é possível que os EUA intensifiquem suas operações militares contra o Irã nos próximos dias, mas a possibilidade de um envio de tropas terrestres com a intenção de derrubar a liderança em Teerã permanece incerta.
“Estamos esperando a chegada das tropas americanas. Assim, poderemos confrontá-los, o que seria um desastre para eles”, declarou o chanceler, reafirmando a postura resistente do Irã. Araghchi ainda complementou que mudanças já estão em curso: “O sistema está funcionando, os comandantes foram substituídos e o líder supremo será substituído”.
Novas Tecnologias Militares
Ao mesmo tempo, o porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica anunciou a intenção do país de implementar armamentos avançados que ainda não foram utilizados em conflitos anteriores. O brigadeiro-general Ali Mohammad Naeini indicou que os inimigos do Irã devem se preparar para “golpes dolorosos” na próxima onda de ataques planejados.
“As novas iniciativas e armas do Irã estão a caminho. Essas tecnologias ainda não foram empregadas em larga escala”, disse Naeini, enfatizando que o país se encontra mais preparado agora do que durante o conflito de 12 dias do ano passado, que envolveu ações dos Estados Unidos e de Israel. O porta-voz descreveu a atual situação como uma “guerra sagrada e legítima”. Recentemente, o Irã lançou o primeiro de seus mísseis Khayber, com Tel Aviv como alvo.
Opiniões de Donald Trump
Na mesma entrevista à NBC, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou sua preferência por um “bom líder” para o Irã. Em um tom que elevou as tensões, Trump afirmou que pretende se envolver na escolha do novo líder supremo do país. Essa afirmação ecoa sua postura de intervenção, similar à que foi observada no início do ano na Venezuela, quando uma intervenção americana resultou na saída de Nicolás Maduro.
“Queremos participar do processo de escolha da pessoa que irá liderar o Irã no futuro. Não precisamos voltar a cada cinco anos e fazer isso de novo e de novo. Alguém que seja ótimo para o povo, ótimo para o país”, destacou Trump. Ele mencionou que Mojtaba Khamenei, filho do atual líder Ali Khamenei, é o sucessor mais provável, mas considerou essa possibilidade inaceitável.
“O filho de Khamenei é inaceitável para mim. Queremos alguém que traga harmonia e paz ao Irã. Eles estão perdendo tempo. O filho de Khamenei é um peso morto. Eu preciso estar envolvido na nomeação, como fiz com Delcy [Rodriguez] na Venezuela”, afirmou Trump, expressando sua recusa em aceitar um novo líder iraniano que mantenha as políticas do atual regime, que, segundo ele, poderiam forçar os EUA a retornar à guerra em um futuro próximo.
