Governo Iraniano Confirma Mortes em Escola Primária
A agência de notícias Mizan, vinculada ao Judiciário iraniano, e a estatal Agência de Notícias da República Islâmica têm propagado a informação de que 153 pessoas perderam a vida em uma escola primária no Irã durante recentes ataques. No entanto, a situação é envolta em controvérsias. Um porta-voz das Forças de Defesa de Israel declarou que não possui conhecimento de qualquer operação militar na área, o que sugere divergências significativas sobre os eventos que ocorreram.
As declarações de um oficial iraniano indicavam que a escola, situada a aproximadamente 600 metros da base da Guarda Revolucionária Islâmica, havia sido alvo de três ataques com mísseis. No entanto, a dificuldade em verificar independentemente essa contagem de mortos é evidente, uma vez que a presença de veículos de imprensa internacionais no Irã é frequentemente limitada, devido à negativa de vistos.
Consequências da Morte do Aiatolá Ali Khamenei
A situação no Irã se agravou com a confirmação da morte do aiatolá Ali Khamenei, que ocorreu no primeiro dia de ataques aéreos dos EUA e de Israel. Khamenei, que liderou o país por quase 40 anos, tinha 86 anos. Sua morte, marcada por circunstâncias violentas, instiga um futuro incerto tanto para o Irã quanto para a região como um todo, levantando questões críticas sobre sua sucessão.
O governo iraniano declarou um luto nacional de 40 dias e estabeleceu sete feriados em homenagem ao líder falecido. Khamenei, como chefe de Estado e comandante-em-chefe das Forças Armadas, exercia um poder imenso, especialmente por meio da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), que funciona como um exército paralelo destinado a proteger o sistema islâmico do país.
Sua influência era ainda mais acentuada pelo controle do império financeiro paraestatal conhecido como Setad, que estava sob sua supervisão direta. Embora não fosse um ditador no sentido clássico, Khamenei navegava por uma intrincada rede de centros de poder que competiam entre si, mas detinha a capacidade de vetar qualquer questão de política pública e escolher candidatos a cargos públicos.
Novos Ataques e Tensões Diplomáticas
Os recentes ataques contra o Irã surgem em meio a semanas de negociações entre Washington e Teerã, que buscavam avançar em um acordo referente ao programa nuclear iraniano. O ex-presidente Donald Trump, por sua vez, acentuou a postura agressiva dos EUA, afirmando que reduzirá a indústria de mísseis iraniana a pó e pretende “aniquilar” a Marinha do país. Em uma declaração instigante, ele instou os iranianos a utilizarem este momento para derrubar o regime clerical que os governa: “Quando terminarmos, tomem o poder. Será de vocês. Esta será provavelmente a única chance que terão por gerações”, afirmou Trump.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, por sua vez, reiterou a posição do país de que um “regime terrorista assassino” como o do Irã não deve possuir armas nucleares que possam ameaçar a humanidade. Ele expressou gratidão ao ex-presidente Trump, elogiando sua “liderança histórica” na questão.
Jeremy Bowen, analista e editor da BBC com vasta experiência na cobertura dos acontecimentos no Oriente Médio, sugeriu que tanto Israel quanto os Estados Unidos acreditam que o regime islâmico do Irã se encontra vulnerável. Segundo Bowen, o país enfrenta uma grave crise econômica e lidou com as consequências de uma repressão brutal a manifestantes no início do ano. Ademais, as defesas iranianas seguem enfraquecidas após ataques ocorridos em junho de 2025.
