Ucrânia e a Luta pela Soberania
No contexto da guerra que se arrasta pela Europa, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, concedeu uma entrevista à AFP em Kiev, onde reafirmou que seu país não está perdendo a guerra contra a Rússia. Faltando poucos dias para marcar o quarto aniversário da invasão russa, o líder ucraniano destaca que o desfecho do conflito permanece indefinido, mas deixa claro que a vitória é um objetivo em aberto. “Não podem dizer que estamos perdendo a guerra. Honestamente, de forma alguma a estamos perdendo”, afirmou Zelensky, ressaltando que a questão crucial é saber se a Ucrânia sairá vitoriosa, embora reconheça que essa é uma indagação “muito custosa”.
A guerra, considerada a mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, teve início em 24 de fevereiro de 2022, quando o presidente russo, Vladimir Putin, ordenou a invasão. Desde então, o conflito resultou em milhares de mortes, tanto de civis quanto de militares, em ambos os lados. Nos últimos meses, as forças russas intensificaram ataques contra infraestrutura energética da Ucrânia, deixando milhões de pessoas sem eletricidade e aquecimento durante o rigoroso inverno.
Pressões por Concessões Territoriais
O governo dos Estados Unidos e a Rússia têm pressionado a Ucrânia a ceder a região do Donbass para tentar encerrar a guerra. Zelensky, no entanto, rejeitou a ideia de discutir a entrega de territórios, um ponto sensível que a Rússia reivindica como parte de suas exigências. “Tanto os americanos quanto os russos dizem que ‘se querem que a guerra termine amanhã, saiam do Donbass’”, explicou.
Recentemente, as negociações mediadas pelos Estados Unidos em Genebra não conseguiram avançar em aspectos-chave relacionados ao território, encerrando-se sem um acordo claro. Enquanto isso, a Ucrânia continua a controlar cerca de um quinto da região industrializada de Donetsk e a Rússia já dominou a maior parte de Lugansk, que juntas formam a área do Donbass. O presidente ucraniano reiterou que retirar tropas da região apenas encorajaria as forças russas.
Avanços e Desafios nas Linhas de Frente
Apesar das pressões, Zelensky afirmou que as forças ucranianas estão avançando em operações ao longo da linha de frente no sul do país. “Não entrarei em muitos detalhes, mas posso parabenizar nosso Exército, pois até hoje 300 quilômetros quadrados foram libertados”, disse. Contudo, não especificou o período em que essas conquistas ocorreram, tornando difícil verificar suas afirmações.
Blogueiros militares sugerem que alguns desses avanços podem estar relacionados a problemas nas comunicações, com a interrupção de serviços de internet por parte da rede Starlink, de Elon Musk, que foram desativados a pedido de Kiev. Zelensky reconheceu que essa situação trouxe desafios, embora afirmasse que as perdas enfrentadas pela Rússia são ainda mais significativas.
A Questão das Eleições e Garantias de Segurança
Adicionalmente, os Estados Unidos têm pressionado a Ucrânia a realizar eleições presidenciais, mas Zelensky defende que essas só devem ocorrer após o fim do conflito. Ele argumenta que a Rússia está interessada em uma eleição rápida para tentar substituí-lo no poder. “Ninguém quer eleições durante uma guerra. Todos têm medo de seu efeito destrutivo”, ressaltou.
Com milhões de ucranianos deslocados devido aos combates e muitos vivendo em áreas ocupadas, Zelensky afirmou que realizá-las representa um desafio enorme. Ele também expressou que a realização de uma votação está condicionada a garantias de segurança robustas dos aliados ocidentais para evitar novos ataques russos.
O presidente ucraniano concluiu a entrevista mencionando a necessidade de tropas estrangeiras posicionadas próximas à linha de frente, enfatizando que “gostaríamos de ver o contingente mais perto”, embora reconheça que isso é uma situação complexa e indesejada.
