Representando o Pará na Competição Global
Fazendo história, a Universidade Federal do Pará (UFPA) se destacou ao vencer quatro rodadas contra instituições renomadas e, assim, garantiu sua vaga na etapa internacional da Philip C. Jessup International Law Moot Court Competition. Esta competição, considerada a maior simulação jurídica do mundo, acontecerá entre os dias 28 de março e 4 de abril, em Washington, D.C., nos Estados Unidos. A UFPA será a única representante da Amazônia no evento, marcando um feito significativo para a educação jurídica da região.
A competição, que teve seu início em 1959, reúne estudantes de Direito e Relações Internacionais de mais de 700 faculdades e de mais de 100 países. Durante a Jessup, os participantes assumem os papéis de representantes de Estados, simulando um julgamento perante a Corte Internacional de Justiça (CIJ), que é o principal órgão judicial da Organização das Nações Unidas (ONU).
Um Marco para a UFPA e Região Norte
Giovana Camelo do Nascimento, estudante do décimo período de Direito e integrante da equipe da UFPA, ressaltou a importância do resultado alcançado na fase nacional da competição. “É uma honra representar o Brasil nas rodadas internacionais. Participamos pela primeira vez no ano passado e, em 2026, na nossa segunda participação, conseguimos um resultado incrível, conquistando a medalha de bronze, um feito inédito em 20 anos de história da competição”, declarou.
Giovana também enfatizou a evolução da equipe em um curto espaço de tempo, o que foi essencial para a classificação. “Conseguimos melhorar muito de uma edição para outra, superando universidades de destaque no Sul e Sudeste do país. Somos a primeira equipe de uma universidade pública da Amazônia a alcançar esse nível”, destacou.
Desafios e Preparação da Equipe
A fase nacional da Jessup ocorreu em fevereiro, em São Paulo, e a equipe da UFPA é composta por dez integrantes, todos vinculados ao Instituto de Ciências Jurídicas e à Faculdade de Direito da universidade. A equipe de oradores e pesquisadores é responsável pela elaboração dos memoriais escritos e pelas sustentações orais. Entre os membros estão Bárbara Santos Sacramento, Dalila de Léllis Bastos Tagore Rocha da Silva, Giovana Camelo do Nascimento, Hector Rafael Vilhena Marinho e Nicolas Manoel Carvalho Vieira.
Os coaches que orientam a equipe são os professores Dra. Mariana Monteiro de Matos e Dr. Rodrigo Carlos Céspedes Proto, além das estudantes Ananda Macedo Chedieck Martins, Isabelle Rosa Oliveira e Maria Luiza do Carmo Weyl Costa. No entanto, a participação de todos na etapa internacional ainda enfrenta um desafio: a captação de recursos financeiros. “O financiamento é um obstáculo, mas estamos confiantes de que conseguiremos os recursos necessários para levar todos os oradores e coaches a Washington”, afirmou Giovana.
A preparação da equipe começou em 2025 e envolveu uma rotina intensa de estudos e treinamentos. “A Jessup requer um trabalho anual. Estudamos Direito Internacional Público, analisamos jurisprudências da CIJ e de outras cortes internacionais, e tivemos aulas semanais em inglês com nossos professores-orientadores”, explicou a estudante.
Após a divulgação do caso hipotético internacional, em setembro, a equipe intensificou a produção dos memoriais escritos e os treinamentos de oratória, todos conduzidos em inglês. “Recebemos críticas construtivas muito importantes na fase nacional e agora estamos ajustando nossa performance para representar a UFPA e o Brasil com excelência em Washington”, completou.
A Importância da Competição Internacional
Para Giovana, a participação na Jessup é muito mais do que apenas uma competição acadêmica. “A Jessup é uma comunidade incrível. A rodada final, em Washington, é avaliada por juízes da própria Corte Internacional de Justiça da ONU e ocorre paralelamente à conferência da Sociedade Americana de Direito Internacional. É um ambiente único de aprendizado e de construção de contatos profissionais para toda a vida”, enfatizou.
Ela ainda ressaltou o impacto dessa experiência para o fortalecimento do Direito Internacional na região amazônica. “Apesar das dificuldades geográficas, financeiras e logísticas de estarmos no Norte do Brasil, vamos com muito orgulho levar a visão amazônica para os debates internacionais. O Direito Internacional na Amazônia tem um potencial imenso para crescer com a nossa presença nesses espaços”, concluiu Giovana.
