Centros de Informação em Saúde e Clima atuam para enfrentar El Niño no Pará
Belém e Santarém, no oeste do Pará, contam com o suporte dos Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC) para monitorar eventos climáticos e garantir a continuidade da assistência à saúde diante dos impactos do El Niño. O Ministério da Saúde alerta que o fenômeno está em nível forte, com previsão de se tornar “muito forte” em setembro. Na região Norte, o impacto mais severo é a seca histórica dos rios da bacia amazônica, que reduz o nível dos leitos fluviais e pode dificultar o acesso a serviços de saúde.
Medidas para proteger a saúde e populações vulneráveis
O Ministério da Saúde apresentou, em coletiva com o ministro Alexandre Padilha, representantes da Fiocruz e técnicos da pasta, o cenário e as estratégias para enfrentar esses desafios. A região recebeu 273 Unidades Básicas de Saúde (UBS) resilientes, entregues e em construção pelo Novo PAC, projetadas para resistir a eventos extremos, com energia solar, geradores e reserva hídrica para até 72 horas. Também foram entregues 377 ambulâncias do SAMU e 587 soluções de acesso à água potável para áreas indígenas.
Segundo o ministro Padilha, “é urgente avançar na adaptação climática porque as mudanças do clima estão afetando a saúde e levando pessoas à morte. A preparação é baseada na ciência e respeita os princípios do SUS”. Ele destaca que os efeitos das mudanças climáticas não atingem toda a população da mesma forma, ressaltando a importância de estratégias focadas nas populações mais vulneráveis.
Riscos para a saúde e apoio dos CISC na região Norte
O Ministério da Saúde prevê seca severa, estiagem prolongada, redução das chuvas e maior risco de queimadas durante o período crítico na região Norte. Essas condições podem trazer insegurança hídrica e alimentar, desnutrição, doenças cardiorrespiratórias associadas à fumaça das queimadas, além da proliferação de doenças como dengue e enfermidades transmitidas pela água.
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Os Centros de Informação em Saúde e Clima também contribuem na elaboração de mapas de calor extremo, zonas de resfriamento e pontos de hidratação, além de desenvolver protocolos específicos para a rede de saúde e qualificar equipes. Essa inteligência apoia a atuação da Força Nacional do SUS, que possui bases regionais em implantação em Manaus (AM), Porto Velho (RO) e Belém.
Força Nacional do SUS em ação e plano de adaptação
Entre 15 e 16 de setembro, a Força Nacional do SUS realizou missão técnica em Roraima para fortalecer a preparação da rede de saúde diante da seca e do El Niño. Essa ação resultou em um plano de ação conjunto, mantendo a Força Nacional em prontidão para resposta rápida.
Essas iniciativas fazem parte do AdaptaSUS, plano apresentado na COP30 pelo Ministério da Saúde para adaptar a rede pública às mudanças climáticas e proteger as populações vulneráveis. O programa prevê 27 metas, 93 ações e investimento de R$ 9,8 bilhões até 2035, com o objetivo de tornar o SUS mais resiliente frente aos desafios climáticos.
Ampliação da atenção básica e protocolos para populações vulneráveis
Entre 2023 e 2026, o número de equipes de saúde na Amazônia cresceu 24,9%, passando de 261 para 326 profissionais. A frota de Unidades Básicas de Saúde Fluviais aumentou 24,6%, operando com 71 unidades em áreas remotas. Hoje, 95% da população da região está vinculada à Saúde da Família e à Saúde da Família Ribeirinha.
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Para proteger populações vulneráveis, o Ministério da Saúde estabeleceu protocolos técnicos para abrigos coletivos temporários, com foco em pontos críticos como garantia de água potável, adequação sanitária, ventilação para prevenção de vírus respiratórios, triagem de casos graves, vacinação de bloqueio/emergência e acolhimento psicossocial.
Resposta rápida com unidades móveis e logística coordenada
Quando a infraestrutura local de saúde é comprometida, a Força Nacional do SUS atua com unidades móveis e modulares para substituição ágil. Além disso, há logística coordenada para envio de kits de medicamentos de urgência e insumos de purificação de água, em cooperação com o Cemaden e a Defesa Civil.
O país conta com nove bases regionais da Força Nacional do SUS nas cinco regiões. As três primeiras foram inauguradas no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Bahia, garantindo resposta a emergências em saúde em até 12 horas. Em 2026, a Força Nacional realizou 11 missões em oito estados, sendo cinco relacionadas a desastres, com 139 profissionais mobilizados e quase 5 mil atendimentos de saúde.
Expansão da rede assistencial para enfrentar desafios climáticos
Por meio do Novo PAC Saúde e do Programa de Reconstrução, o Brasil conta com mais de 2,2 mil UBS resilientes entregues e em construção, além de 4,4 mil ambulâncias do SAMU e 20,8 mil cisternas para acesso à água potável. Essas ações reforçam a rede assistencial pública para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas e garantir atendimento adequado à população.
