Oportunidades e Desafios no Mercado do Chocolate
No dia 25 de novembro, o Festival Internacional do Chocolate e Cacau, que ocorre até o dia 26 no Hangar, trouxe à tona as mais recentes tendências do universo do chocolate. O evento contou com a presença de renomados produtores, chocolatiers e empreendedoras indígenas, que debateram a cadeia produtiva desde o plantio do cacau até a exportação dos produtos. Durante os painéis, um dos principais pontos abordados foi a necessidade de consolidar o chocolate brasileiro, especialmente o produzido no Pará, como uma referência mundial.
O chef e chocolatier Fábio Sicília, um dos painelistas, destacou a relevância desse posicionamento. “Anualmente, o Brasil movimenta bilhões no setor de chocolates. No Chocoday, discutimos como definir nossa marca e evitar cair na armadilha da commodity. Precisamos encontrar um equilíbrio que nos posicione como produtores de cacau e chocolate de excelência, tornando a marca Brasil-Pará valiosa”, afirmou Sicília. Segundo ele, a construção de uma identidade forte é crucial para o crescimento do mercado brasileiro.
Ivaldo Santana, coordenador do Fundo de Apoio à Cacauicultura do Pará, vinculado à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Funcacau/Sedap), também enfatizou a importância do festival. “Eventos como este promovem a visibilidade do cacau paraense e conectam produtores de diversas regiões. Através do Fórum do Cacau, especialistas do Brasil e de outros países compartilham conhecimentos, e os painéis com chocolatiers oferecem um aprendizado valioso para os produtores”, disse Santana. Ele ainda acrescentou que essa troca de informações fortalece o nome do Pará tanto no Brasil quanto no exterior.
Novos Caminhos para o Setor de Chocolates
O festival também apresentou várias iniciativas que se destacam como tendências no setor. Um dos exemplos é a experiência da chocolatière Sarah Brogni, da Ascurra Chocolate, que durante sua palestra compartilhou como a implementação de turismo em sua fazenda ajudou a expandir seu empreendimento. “Criamos uma rota turística que oferece experiências de café da manhã e almoço, além de uma imersão na nossa produção. Isso foi essencial para atrair turistas internacionais e investir na juventude local”, contou Brogni.
Outra participante que trouxe à tona um tema relevante foi Katyana Xipaya, fundadora da Sidjä Wahiü, que discorreu sobre o protagonismo indígena dentro da bioeconomia amazônica. “O chocolate tem sido uma porta de entrada para nós e outras comunidades indígenas e ribeirinhas. Nosso trabalho, pautado na sustentabilidade, tem gerado reconhecimento internacional e valorizado nossa cultura e saberes ancestrais”, ressaltou Xipaya, enfatizando a importância do respeito à floresta e seus recursos.
Informações sobre o Festival
O 10º Festival Internacional do Chocolate e Cacau – Chocolat Amazônia e Flor Pará é uma iniciativa do Governo do Estado, coordenada pela Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) e financiada pelo Fundo de Apoio à Cacauicultura do Pará (Funcacau). O evento está em andamento até o domingo (26), no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, localizado na avenida Dr. Freitas, s/n, bairro do Marco.
As atividades estão abertas ao público das 14h às 22h e oferecem uma programação diversificada, que inclui Feira de Flores, Cozinha Kids, e esculturas de chocolate. O festival é uma oportunidade imperdível para os amantes do chocolate e para aqueles que desejam entender mais sobre a rica cultura do cacau no Brasil.
