Início da Semana dos Povos Indígenas em Belém
A poucos dias do seu início, a III Semana dos Povos Indígenas já atrai atenção de lideranças, instituições e comunidades para quatro dias repletos de atividades no Parque da Cidade, em Belém. Com o tema “Onde a ancestralidade vira decisão”, o evento, promovido pelo Governo do Pará, através da Secretaria de Estado dos Povos Indígenas (Sepi), em colaboração com a Federação dos Povos Indígenas do Estado do Pará (Fepipa) e o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), se consolida como um dos maiores encontros indígenas da região Norte do Brasil. O evento contará com debates estratégicos, exposições culturais e ações voltadas à cidadania.
A programação terá início na quinta-feira (16), com o acolhimento das delegações indígenas, atendimento social e a abertura institucional. Um dos principais destaques será o Seminário da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), promovido pelo Governo Federal e pelo MPI, que acontecerá nos dois primeiros dias do evento. A iniciativa visa oferecer oficinas de planejamento, avaliação e fortalecimento da gestão ambiental e territorial em nível regional, enquanto reforça o protagonismo indígena nas decisões sobre seus próprios territórios.
Diálogo e Protagonismo Indígena
A secretária interina da Sepi, Roseli Pantoja, enfatiza que a elaboração da programação resultou de um diálogo ativo com as lideranças indígenas. “Organizar mais uma edição da Semana dos Povos Indígenas é, antes de tudo, um exercício de escuta e de construção coletiva. Cada detalhe da programação nasce do diálogo com as lideranças e do respeito aos modos de vida dos povos originários. Este ano, chegamos ainda mais fortalecidos, com uma proposta que valoriza a ancestralidade como algo vivo, presente nas decisões, nos saberes e nas práticas do dia a dia. A expectativa é de um encontro potente, que reafirme direitos, visibilize culturas e aproxime a sociedade dessa diversidade que nos constitui”, destacou Pantoja.
No primeiro dia, também está prevista a apresentação e a eleição dos novos membros do Conselho Estadual de Política Indigenista (Consepi), além de atividades recreativas para crianças e uma série de serviços oferecidos ao público indígena, como emissão de documentos e a regularização de cadastro único.
Atividades e Oficinas ao Longo da Semana
Durante a programação, oficinas e encontros promoverão o intercâmbio de saberes, incluindo a oficina de comunicação indígena “Pelas lentes da ancestralidade” e o Encontro de Defensores e Defensoras Indígenas da Bacia do Tapajós, que se concentrará na governança hídrica. Na sexta-feira (17), a programação se expande com a abertura da Feira de Etnobioeconomia Ancestral e da Feira de Gastronomia, que se estenderão até o fim do evento, reunindo produtos, saberes e práticas tradicionais.
O dia contará com rodas de conversa, uma delas organizada pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), que abordará a realidade de indígenas refugiados em contextos urbanos, e outra mesa promovida pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc), dedicada à educação escolar indígena. Ronaldo Amanayé, coordenador executivo da Fepipa, ressalta a importância do protagonismo indígena no evento: “Para nós da Fepipa, é fundamental estarmos à frente de um evento que fortalece as vozes dos povos indígenas e valoriza as mais diversas culturas. A Semana é um espaço de protagonismo, intercâmbio e afirmação dos territórios e saberes tradicionais”.
Integração e Cultura no Final de Semana
No sábado (18), a programação continuará focando na formação e na integração intercultural, com a continuidade das feiras, oficinas e encontros. Também haverá uma reunião preparatória da oficina sobre o Sistema Jurisdicional de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (SJREDD+), voltada à capacitação das lideranças indígenas. As competições dos jogos indígenas, abrangendo modalidades como futebol, futsal, vôlei e cabo de força, irão animar o dia, promovendo a integração entre os diferentes povos. A programação incluirá ainda uma roda de conversa com artistas e o desfile de moda ancestral.
O domingo (19) marcará o encerramento do evento, com as finais dos jogos indígenas e a continuidade das atividades formativas e das feiras. O encerramento institucional incluirá entregas significativas, como o Plano de Consulta do SJREDD+, a posse dos conselheiros do Conselho Estadual de Política Indigenista (Consepi), o lançamento de ações de leitura pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e a assinatura de acordos institucionais.
Programação Cultural e Celebração da Identidade Amazônida
A programação cultural, que contará com apresentações indígenas, ocorrerá diariamente durante o evento, das 19h às 22h, reafirmando o protagonismo dos povos indígenas por meio da arte, música e expressões tradicionais. No dia 16 de abril, o público poderá prestigiar os shows de Cássio Costa e Parananin. No dia 17, a programação contará com a presença de Pinduca, um ícone da música paraense. No dia seguinte, o destaque será o desfile de moda ancestral, assinado pelo estilista Maurício Duarte, seguido de apresentações do DJ Éric Terena e da banda 100 Limites. O encerramento, por sua vez, será celebrado no dia 19 de abril com o Arraial do Pavulagem, que terá como tema “Cortejo pela ancestralidade viva”, reunindo os povos originários em um cortejo pelo Parque da Cidade, além de uma apresentação no palco, misturando música, dança e identidade amazônica.
