Eleições na Hungria: O Futuro de Orbán em Jogo nas Urnas
Neste domingo, 12 de abril de 2026, as urnas foram abertas na Hungria, em um pleito que promete redefinir o futuro político do país. Com a votação iniciando às 6h (hora local) e encerrando-se às 19h, o evento é considerado um divisor de águas na trajetória de Viktor Orbán, que é o primeiro-ministro em exercício e um dos líderes que mais tempo serviu na União Europeia. Desde seus primeiros dias como um liberal antissoviético até seu atual posicionamento nacionalista e pró-Rússia, Orbán percorreu um caminho cheio de controvérsias, sendo admirado por setores da extrema-direita global.
Após exercitar seu direito de voto em Budapeste, Viktor Orbán declarou que estava “aqui para vencer”. O primeiro-ministro alertou sobre uma possível crise que se aproxima na Europa e ressaltou a necessidade de uma “forte unidade nacional” para enfrentar os desafios vindouros. O adversário político, Peter Magyar, ex-aliado de Orbán, também votou cedo e enfatizou a urgência de implementar medidas anticorrupção, além de desbloquear fundos da União Europeia que estão congelados.
“Os húngaros farão história nas eleições de domingo, quando escolherem ‘entre o Leste e o Oeste’”, afirmou Magyar, líder do partido de oposição Tisza, em uma declaração à imprensa logo após seu voto em uma seção eleitoral na capital.
Atenção Mundial para a Eleição
Essa eleição é observada com atenção não apenas na Europa, mas em diversos outros continentes, destacando a relevância de Orbán na política populista de extrema-direita. Seu governo e o partido Fidesz são considerados por muitos como exemplos do que se pode chamar de política conservadora antiglobalista. Contudo, essa mesma postura é criticada por defensores da democracia liberal e do Estado de Direito, que reprovam as ações do primeiro-ministro húngaro.
Eszter Szatmári, aposentada de 62 anos, expressou sua preocupação ao votar: “Sinto que esta eleição é basicamente nossa última chance de ver algo que se assemelhe vagamente à democracia na Hungria”. Para ela, o momento exige um esforço coletivo para mudar a percepção internacional em relação ao país, que tem sido moldada pelos últimos dez anos de governo Orbán.
Nos primeiros momentos de votação, um indicativo positivo foi registrado: aproximadamente 3,6% dos eleitores registrados compareceram às urnas, um aumento significativo comparado a 2022, segundo o Escritório Nacional Eleitoral.
Uma Dinastia em Risco
As eleições de hoje podem pôr fim aos 16 anos de governo de Viktor Orbán. A disputa é especialmente acirrada contra Peter Magyar, que ganhou respaldo popular ao se distanciar de Orbán e criticar a corrupção no governo. Pesquisas indicam que a oposição pode sacar uma virada histórica, potencialmente superando os antigos aliados e mudando a dinâmica política do país.
Orbán, que subiu ao poder pela primeira vez em 1998, governou por quatro anos antes de retornar em 2010 com uma vitória esmagadora. Desde então, seu partido, o Fidesz, estabeleceu uma maioria no Parlamento e implementou mudanças significativas na Constituição, promovendo uma “democracia cristã iliberal”.
Suas políticas, muitas vezes controversas, têm causado tensão com a União Europeia, que chegou a suspender repasses financeiros devido a violações de direitos democráticos. Em contrapartida, suas ações em relação à imigração e sua retórica nacionalista continuam a atrair um considerável apoio popular.
Recentemente, a economia estagnada e o surgimento de uma elite ligada ao governo têm contribuído para a perda de influência de Orbán, que agora enfrenta um adversário mais confiante. Magyar, que antes se inspirava em Orbán, agora se posiciona como um opositor, buscando reverter a política de isolamento promovida pelo governo atual, ao mesmo tempo em que valoriza a sua postura conservadora.
Enquanto isso, as pesquisas apontam uma tendência de crescimento para o partido de Magyar, com estimativas que indicam uma possível conquista de até 142 cadeiras no Parlamento, o que lhe daria uma ampla margem para promover reformas. Orbán e seu partido devem, segundo as previsões, garantir entre 49 e 55 cadeiras, enquanto outro partido emergente, o Mi Hazank, pode assegurar cinco ou seis assentos.
