Ativos Questionáveis na Acordo do BRB com o Banco Master
O Banco de Brasília (BRB) fechou um negócio controverso ao adquirir R$ 30,5 bilhões em ativos do Banco Master, incluindo impressionantes R$ 11,8 bilhões em carteiras de crédito problemáticas. Sob pressão do Banco Central, a partir de 2025, o BRB começou a substituir essas carteiras duvidosas por outros ativos que alegavam ter “lastro real”.
A partir de hoje, 6 de abril, o Metrópoles divulga, com exclusividade, que os ativos considerados “saudáveis” trocados pelo BRB também despertam suspeitas sobre sua solidez financeira. Bilhões de reais que, segundo as análises, o BRB pode ter dificuldade em recuperar.
Nos dias seguintes, o Metrópoles revelará em detalhes como negócios de alto risco foram realizados pelo BRB, mesmo diante de alertas da equipe técnica sobre a ausência de garantias e outros problemas estruturais. Um exemplo claro disso foi a aquisição de cédulas de crédito bancário (CCBs) no valor de R$ 341 milhões, transferidas para uma empresa com um capital social de apenas R$ 10 mil, respaldadas por um empresário com histórico de inadimplência e garantias limitadas a R$ 30 milhões.
Em toda a operação, o BRB totalizou a aquisição de R$ 2,2 bilhões em CCBs do Banco Master. Esses títulos representam um compromisso por parte do tomador em reembolsar um empréstimo concedido pelo Master. Caso o pagamento não ocorra, o BRB arcará com o prejuízo.
Análise das Operações do Banco Master
Durante a avaliação da proposta do Master para substituir as carteiras problemáticas da Credcesta, a equipe técnica do BRB revisou operações do banco de Daniel Vorcaro com 11 grupos empresariais. A análise revelou um padrão preocupante:
“Em todas essas operações, o financiamento envolveu riscos elevados, seja por se tratar de projetos em fases iniciais, seja por conta de histórico de dificuldades na implementação, com alguns casos apontando insolvência”, indica um relatório das diretorias de Finanças e Controladoria e de Atacado e Governo, datado de junho de 2025.
Tradicionalmente, na análise de crédito, o tomador do empréstimo deve demonstrar capacidade de pagamento. Contudo, o Banco Master adotava uma abordagem “heterodoxa”, segundo os técnicos do BRB, buscando oportunidades com maior risco em troca de chances de retorno ampliadas.
A visão da equipe técnica era de que Vorcaro, ao financiar determinados projetos, procurava ir além dos spreads esperados — a diferença entre o que receberá e o que emprestou. Ele ambicionava multiplicar suas participações societárias nas empresas beneficiárias dos financiamentos e em fundos de investimento associados.
O BRB tinha a convicção de que por trás de cada empréstimo realizado pelo Master existiam documentações adicionais, não incluídas nas pastas enviadas, que permitiram a Vorcaro expandir sua influência nas empresas que tomavam os empréstimos.
“É importante ressaltar que uma parte significativa da estratégia do Banco Master, que pode ter fundamentado a decisão de concessão de crédito, pode envolver contratos ausentes nas CCBs e que não foram apresentados pelo Banco Master. Isso inclui instrumentos de divisão de lucros, opções de compra e venda de cotas das empresas financiadas, entre outros”, concluiu a área técnica do BRB.
