Indefinições na Sucessão de Gleisi Hoffmann
A Secretaria de Relações Institucionais (SRI) do governo Lula permanece sem um sucessor definido para Gleisi Hoffmann. A ministra, que busca uma cadeira no Senado pelo Paraná, precisa se afastar do cargo até este sábado para se adequar às regras eleitorais. Enquanto isso, a proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a nomeação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta sérias barreiras no Senado.
Aliados de Lula destacam que a escolha do novo ministro da SRI é vital. O presidente almeja que a pessoa escolhida tenha boa relação com o Congresso e, preferencialmente, seja um político com experiência parlamentar. Um dos ministros disse que é fundamental que o futuro ocupante da pasta tenha habilidade para negociar e garantir a aprovação de Messias, que não é bem visto entre os senadores, especialmente por Davi Alcolumbre, presidente da Casa.
Pressão pela Aprovação de Jorge Messias
Desde que Lula anunciou a indicação de Messias, a relação dele com o Senado se deteriorou. A resistência se acentuou, especialmente entre os governistas, que admitem a falta de apoio necessário para assegurar a aprovação na sabatina que deve acontecer em breve. Um auxiliar do presidente ressaltou que, além de conhecimentos políticos, o novo secretário precisa ter a confiança de Lula, pois o cargo exige reuniões frequentes com o presidente.
Apesar de estudos anteriores que favoreceram o nome de Olavo Noleto para a SRI, o presidente voltou atrás e a busca por um novo nome se intensificou. Entre os possíveis candidatos, figuram o senador Otto Alencar, o deputado José Guimarães e o atual ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias. No entanto, a movimentação gera apreensão no governo, uma vez que cada um deles possui compromissos políticos que dificultam sua transferência para a SRI.
Desafios na Escolha do Novo Ministro
Aliados de Lula têm expressado preocupações sobre retirar figuras-chave do Senado em um momento delicado, onde a relação entre o Planalto e a Casa está tensa. Guimarães, que é um nome forte, está voltado para a sua candidatura ao Senado, o que o impossibilita de aceitar a posição na SRI. Quanto a Wellington Dias, ele afirmou que não recebeu propostas diretas e está focado em sua função atual de coordenar a campanha de reeleição de Lula.
Outra alternativa ventilada é a possibilidade de que um ministro atual que não concorra nas próximas eleições possa assumir a SRI. O nome de Waldez Góes, do Desenvolvimento Regional, é considerado, dado seu bom relacionamento com Alcolumbre, embora essa opção ainda seja vista como remota por alguns aliados do presidente.
Expectativa no Planalto para Escolha Rápida
Com o impasse, o diplomata Marcelo Costa, atual número dois na SRI, assumirá interinamente o cargo até que um novo ministro seja nomeado. A pressa é evidente, já que o governo deseja avançar com pautas importantes no Congresso antes do esvaziamento habitual que ocorre em anos eleitorais a partir de agosto.
A SRI, sendo uma pasta estratégica, é responsável por articular as ações do Executivo perante o Legislativo e controlar as emendas parlamentares. Desde a saída de Alexandre Padilha em 2025, a importância dessa secretaria se tornou ainda mais evidente. Inicialmente, houve pressão para que Lula escolhesse um político do Centrão, o que não ocorreu, pois o presidente optou por Gleisi, gerando uma série de reações.
Ponderações sobre a Próxima Escolha
Um ministro, que pediu anonimato, opinou que a escolha de um nome fora do PT poderia ser uma estratégia interessante para restaurar a relação com o Congresso. Com a proximidade das eleições, essa medida poderia facilitar alianças políticas. No entanto, interlocutores próximos a Lula afirmam que a prioridade deve ser a confiança e o trânsito do futuro ministro com os parlamentares, independentemente de sua origem partidária.
Além das dificuldades em confirmar Messias no Senado, o governo também busca a aprovação de outras propostas relevantes, como a PEC da Segurança Pública e a regulamentação do trabalho de entregadores por aplicativo. A expectativa é que, com um novo ministro, esses temas avancem, evitando maiores conflitos com o Legislativo durante um ano eleitoral.
