Educação como Transformação de Vidas
Conquistar uma vaga no ensino superior representa um marco significativo na trajetória de muitos estudantes. No Pará, essa conquista é celebrada com tradições locais, como o banho de ovo, colorau e trigo, além de festivas reuniões com familiares e amigos. Para Jaqueliny França, de 19 anos, aprovada em Ciência e Tecnologia no Instituto Federal do Pará (IFPA) Campus Ananindeua, esse momento simboliza o resultado de um ano inteiro dedicado aos estudos. “Foi uma sensação única. Depois de um ano de dedicação, conseguir passar foi emocionante. Liguei para minha mãe e choramos juntas”, relembra emocionada.
Mais do que um mero ingresso em uma graduação, o Campus Ananindeua do IFPA representa uma oportunidade real para jovens que enfrentaram dificuldades em acessar o ensino superior, principalmente devido à distância até Belém. A presença do campus é um fator decisivo para a permanência dos alunos e a ampliação das oportunidades na Região Metropolitana de Belém.
Acesso ao Ensino Superior e Suas Implicações
Para estudantes oriundos de áreas remotas, o IFPA atua como um verdadeiro elo entre a educação básica e a formação profissional. Lícia Monique, de 20 anos, natural da comunidade de Ganhoão, em Chaves, no arquipélago do Marajó, é um exemplo disso. Completando o curso de Licenciatura em Letras, Lícia destaca o quanto sua conquista impactou sua família. “Vim de uma família simples, com poucos recursos. Ter um membro da família ingressando em uma instituição de renome é algo extraordinário”, comenta a jovem, que já planeja continuar seus estudos com um mestrado e doutorado.
Entretanto, a adaptação à nova rotina de estudos vem acompanhada de desafios. Maria Luiza Pinheiro, de 19 anos, que deixou Ourém, na região nordeste do Pará, relata a saudade que sentiu da família no início de sua jornada. “Foi uma experiência muito difícil no começo. Eu sentia muita falta da minha mãe e do meu pai”, confessa. A jovem ressalta que o apoio das amigas e os recursos disponíveis no IFPA são fundamentais para manter vivo o sonho da formação superior.
Infraestrutura e Expansão no Ensino
A instalação do campus em Ananindeua, que ocupa o espaço da antiga Granja do Governador, resolve um histórico problema logístico da região. Lair Aguiar de Meneses, diretor geral da instituição, explica que o campus foi criado para suprir a carência de profissionais formados na área. “Ananindeua é o segundo município mais populoso do estado. Oferecer graduação gratuita aqui reduz a pressão sobre Belém e facilita a mobilidade urbana da nossa comunidade”, destaca o diretor do IFPA Ananindeua.
Ele acrescenta que a unidade tem como pilares essenciais o ensino, a pesquisa, a extensão e a inovação. Thaciane Montoril, de 25 anos, que estuda Letras e participa do Programa Rede APE, é um exemplo do modelo de atuação do IFPA. “Eu procurava não apenas apoio financeiro, mas também oportunidades de crescimento e pertencimento no ambiente acadêmico”, afirma, ressaltando a importância do investimento na educação.
Qualidade e Proximidade na Formação Acadêmica
Gisele Cunha, de 28 anos, é uma das alunas que ingressou no IFPA por meio do programa de Mobilidade Acadêmica (MOBA), vindo de outra instituição de ensino. “Escolhi o IFPA pela qualidade do ensino e pela localização. Por ser um campus mais recente, os profissionais estão mais aptos a atender às nossas necessidades individuais”, afirma Gisele.
Além de proporcionar formação acadêmica, a presença do IFPA em Ananindeua altera significativamente a dinâmica urbana da região. A diminuição da necessidade de deslocamento até Belém alivia o sistema de transporte local e solidifica o município como um polo de conhecimento, ciência e tecnologia.
Verticalização da Educação como Diferencial
Inaugurado em sua sede atual em 2019 e com funcionamento autorizado desde 2016, o campus atende atualmente cerca de 850 alunos em nove cursos regulares. Um dos principais diferenciais é a verticalização do ensino, que permite ao estudante avançar em diferentes níveis de formação na mesma instituição. As possibilidades abrangem graduação em Ciência da Computação, Ciência e Tecnologia, Gestão Ambiental e Letras (Língua Portuguesa), cursos técnicos em Informática, Meio Ambiente e Segurança do Trabalho, e especializações em Segurança do Trabalho e Tecnologias Educacionais.
Os cursos técnicos estão dividos entre os integrados, que são realizados paralelamente ao Ensino Médio, e subsequentes, destinados a quem já completou essa etapa. Para atender à crescente demanda, o campus está passando por obras de ampliação que incluem um refeitório para estudantes em situação de vulnerabilidade, uma biblioteca com acervo digital ampliado e um ginásio poliesportivo. Há ainda planos para um auditório que abrigará eventos acadêmicos e institucionais maiores. “Sem que os alunos estejam minimamente alimentados e com infraestrutura adequada, o ensino fica comprometido. Estamos construindo um espaço de dignidade”, conclui Rodrigo Wanzeller, coordenador do curso de Letras.
