A Jornada de Priscila Albuquerque
A paulistana Priscila Albuquerque, aos 42 anos, decidiu dar uma reviravolta em sua vida após enfrentar uma crise de burnout. Desde junho do ano passado, ela abandonou sua carreira de 20 anos na área de tecnologia da informação (TI) para se dedicar a uma nova aventura: viajar pelo Brasil e dançar forró. Para muitos trabalhadores brasileiros, a escolha de Priscila reflete um desejo comum por liberdade e realização pessoal.
Após anos dedicados à tecnologia bancária, a decisão de Priscila não veio sem um peso. O burnout, que é resultado do estresse crônico no ambiente de trabalho, tornou-se uma questão crescente no Brasil. Em 2024, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) concedeu 3.359 benefícios a trabalhadores diagnosticados com a síndrome, um número quase três vezes superior ao de 2023, segundo a Lei de Acesso à Informação (LAI).
Planejamento e Coragem
Priscila buscou apoio psicológico e psiquiátrico durante seu período de crise e, com o suporte da empresa onde trabalhava, pediu um afastamento de dois anos sem remuneração. A mudança, no entanto, exigiu planejamento. “Vendi meu apartamento e todos os meus móveis. Levei o que restou para a casa da minha mãe e comecei a viajar”, revela. O foco agora se volta para as coisas que realmente lhe trazem felicidade: fazer trilhas, viajar e, principalmente, dançar forró.
Com raízes nordestinas, Priscila cresceu imersa na cultura do forró. “Desde pequena, minha mãe, que é pernambucana, me envolveu nesse universo. Dançar forró é, para mim, uma forma de acolhimento”, conta. Para ela, a dança não é apenas uma atividade, mas um espaço onde se sente à vontade e pode fazer novas amizades, mesmo quando está sozinha.
Desafios e Adaptações
Priscila iniciou suas viagens de carro alugado, mas logo percebeu que isso aumentava significativamente os custos. Três meses depois, ela ajustou seu planejamento e começou a viajar de ônibus, tornando a experiência mais viável financeiramente. “Viajar sozinha, sendo mulher, requer cuidados e estratégias. Por exemplo, evito chegar em cidades novas à noite”, explica.
Além disso, ela menciona que questões de segurança são sempre uma preocupação, como ao optar por diferentes meios de transporte, incluindo ônibus, aplicativos de carona e serviços de transporte privado. “Em cidades grandes, sempre há pessoas que tentam se aproveitar das situações. Portanto, a cautela é essencial”, complementa.
Vivendo a Alegria do Forró
Desde que iniciou essa nova fase, Priscila já percorreu cidades do interior de São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Sergipe, Alagoas e Pernambuco, participando dos famosos festivais de forró. “O Brasil possui um calendário extenso de festivais de forró, tanto no Sudeste quanto em outros estados. Eu organizei minhas viagens em torno dessas datas”, diz.
Com a participação em cerca de 12 a 13 festivais, ela menciona eventos icônicos como Nata Forrozeira e Buraco do Tatu, e locais renomados entre os amantes do forró, como Itaúnas (ES) e Ilhabela (SP). “Para mim, viajar se tornou um antídoto para a vida corrida que levamos. É um momento de autocuidado e reflexão”, afirma Priscila.
Reflexões sobre o Futuro
Atualmente, Priscila reflete sobre seu futuro profissional. Ela pondera se voltará à TI ou buscará algo que esteja mais alinhado ao novo estilo de vida que adotou. Para quem sonha em realizar uma pausa e seguir por novos caminhos, ela aconselha: “O planejamento é crucial. É importante viver o momento presente e não ficar preso na ansiedade do que já foi ou do que ainda está por vir”.
“Foi essa consciência que me deu coragem para me organizar e não agir de maneira impulsiva. Planejei por meses para garantir que não enfrentasse dificuldades financeiras durante a viagem. Portanto, eu diria: planeje-se, mas viva o agora. Aproveite cada instante!”
