Comissão Aprova Painéis de LED em São Paulo
A Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU) da Prefeitura de São Paulo deu um passo significativo nesta quarta-feira, dia 11, ao aprovar um termo de cooperação que viabiliza a instalação de quatro painéis de LED na interseção das avenidas Ipiranga e São João, coração pulsante da cidade. Essa decisão foi unânime entre os oito conselheiros da Prefeitura, embora tenha encontrado resistência, com seis votos contrários provenientes da sociedade civil.
A CPPU, encarregada de implementar a Lei Cidade Limpa, que desde 2007 proíbe outdoors e limita outras formas de publicidade e poluição visual na capital paulista, demonstrou abertura para discutir modificações no termo. Regina Monteiro, presidente da comissão, mencionou a possibilidade de inserir novas condicionantes e revisar o valor aplicado nas intervenções em até um ano.
Restauro e Mobilidade Urbana
O projeto aprovado não se limita à instalação dos painéis; ele também inclui o restauro de importantes patrimônios históricos, como a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, a Estátua da Mãe Preta, situadas no Largo do Paiçandu, e o Relógio de Nichile, na Praça Antonio Prado. A proposta ainda prevê a inserção de mobiliário urbano, contribuindo para a revitalização da área.
Intitulado oficialmente como “Boulevard São Paulo” e carinhosamente apelidado de “Times Square paulistana”, em alusão ao icônico ponto turístico de Nova York, o projeto foi sugerido pela empresa A Fábrica de Bares, conhecida por sua gestão do Bar Brahma, que ocupa a famosa esquina.
Após obter a aprovação do Conpresp, o conselho responsável pela preservação do patrimônio municipal, o projeto agora avança para a implementação, com a instalação dos painéis de LED prevista para iniciar em março e concluir em um período de três a quatro meses.
Investimento e Críticas
Com um investimento de R$ 2 milhões e uma parceria com a Prefeitura que terá duração de três anos, a empresa assumirá todos os custos. No entanto, o montante considerado baixo gerou questionamentos entre os conselheiros da sociedade civil, que representam diversas entidades, incluindo o conselho participativo municipal e o Instituto de Arquitetos do Brasil.
Além disso, empresários da região central participaram da reunião, ressaltando a importância de iniciativas que podem revitalizar e dinamizar o centro da cidade. Originalmente, a proposta previa cinco telões em edifícios não tombados; no entanto, o Bar Brahma, por sua condição de patrimônio protegido, não poderá ter painéis, apenas projeções de luzes. A Fábrica de Bares apresentou simulações ilustrativas para demonstrar como os novos elementos visuais ficariam.
Regulamentações Adicionais
De acordo com a análise do Conpresp, não há evidências de que as intervenções causem danos ao patrimônio edificado tombado. É importante ressaltar que o termo acordado é reversível, caso as condicionantes estabelecidas, como os níveis máximos de luminosidade, não sejam respeitadas. A transmissão de shows e eventos através dos novos painéis também estará condicionada à interdição temporária das vias.
Na Câmara Municipal, o vereador Rubinho Nunes (União Brasil) apresentou um projeto de lei que busca flexibilizar a Lei Cidade Limpa para facilitar a instalação desses painéis. Ele sugeriu a criação de “Times Squares” adicionais em locais como a Avenida Paulista e Santa Ifigênia. Embora a proposta tenha avançado em primeiro turno no ano passado, não obteve continuidade, apesar do apoio do prefeito Ricardo Nunes (MDB), que defendeu a intervenção na Avenida São João.
Próximos Passos e Considerações Finais
A CPPU estipulou que serão necessários estudos adicionais sobre os impactos fotométricos e visuais, bem como simulações de como as novas instalações afetarão motoristas e pedestres. Entre as diretrizes a serem seguidas, constam:
- Prioridade para conteúdos culturais, institucionais e educativos;
- Controle automatizado de brilho, ajustável conforme a luminosidade noturna;
- Limitação na intensidade luminosa dependendo do horário;
- Veto a animações e conteúdos que possam causar distração ou estímulos visuais abruptos.
Essas diretrizes visam garantir que a implementação não apenas valorize a área, mas também respeite a segurança e o conforto visual dos cidadãos.
