Tremores sentidos em Belém provocam medo e correria
Na tarde desta quarta-feira (24), famílias em Belém vivenciaram momentos de pânico e correria após dois terremotos de grande magnitude registrados na Venezuela, que foram sentidos na capital paraense. Conforme informações da Defesa Civil Municipal, dez prédios distribuídos em cinco bairros da cidade foram evacuados devido aos abalos causados pelos tremores.
Os episódios ocorreram enquanto muitas pessoas acompanhavam o jogo do Brasil contra a Escócia na Copa do Mundo, mas para os moradores de prédios na região central da cidade, a sensação inicial foi física e não visual. Andréa Miranda, médica de 40 anos, relatou ao g1 que percebeu um mal-estar confuso, semelhante a labirintite, que atingiu toda a sua família no apartamento dos pais, no edifício Île de Palais, no bairro Umarizal.
“A impressão era de instabilidade e tontura. Quando olhei para minha irmã e meus pais, notei que todos estavam desconfortáveis”, contou Andréa. A confirmação de que não se tratava de um problema pessoal veio ao perceber que o lustre da sala balançava. Seguindo o protocolo de segurança, a família desceu pelas escadas, enfrentando uma sensação de extremo desespero, principalmente por haver idosos e animais de estimação no prédio.
Leia também: Jogo Brasil x Escócia: confira o que abre e fecha em Belém na quarta-feira (24)
Leia também: Belém lidera ranking nacional em gestão contábil com eficiência e transparência
Experiência semelhante em outros bairros e ações das equipes de segurança
No bairro Pedreira, a médica Bruna Fernandes viveu uma situação parecida no edifício Athenas Future, onde moram sua mãe e irmã. “Eu havia acabado de chegar e disse ao meu filho que estava tonta. Minha irmã alertou que o lustre estava balançando e, em seguida, descemos correndo 27 andares pelas escadas”, relatou. Enquanto isso, no térreo, muitos assistiam ao jogo sem perceber os tremores, que afetaram especialmente os andares mais altos.
Equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil realizaram vistorias nos bairros Umarizal, Nazaré, Pedreira e Cremação, além da cidade de Santarém, no oeste do Pará. Os agentes confirmaram que não houve danos estruturais nem vítimas decorrentes dos tremores.
Entenda a ciência por trás dos tremores sentidos em Belém
Os tremores ocorreram com magnitudes de 7,5 e 7,2, registrados em menos de um minuto na Venezuela. Apesar da distância superior a 1.700 km do epicentro, a energia liberada foi suficiente para provocar vibrações em Belém, principalmente em edifícios altos. O geofísico Marcos Ferreira, do Serviço Geológico do Brasil, explicou que ondas sísmicas se propagam pela Terra, chegando a cidades distantes com níveis de vibração reduzidos, mas ainda perceptíveis.
Leia também: Falta d’água atinge 16 bairros de Belém após rompimento de tubulação principal
Leia também: Superintendente da Cultura de Belém é exonerado após denúncias de fraude no pagamento de jurados do Carnaval
O professor Fábio Leitão, especialista em engenharia civil da Universidade Federal do Acre, detalhou que prédios altos têm maior flexibilidade e um “período natural de vibração” prolongado, o que os torna mais suscetíveis a oscilar durante tremores. Já o engenheiro civil Leon Lobo, da Universidade Federal do Pará (UFPA), apontou que as construções brasileiras não são projetadas para suportar terremotos, mas são preparadas para cargas laterais, como ventos fortes e chuvas típicos da região amazônica, oferecendo certa proteção.
Leon ressaltou ainda a importância de observar o “estado de limite de serviço”, relacionado ao conforto e segurança dos moradores. Caso apareçam rachaduras ou fissuras em pilares ou outras estruturas, é fundamental acionar um especialista técnico, e o síndico deve acompanhar e reportar quaisquer anomalias que comprometam a segurança.
