Sinais de uma Grande Crise
O avanço de tecnologias, especialmente a inteligência artificial (IA), está colocando em risco os empregos da classe média, sinalizando uma possível crise global. Essa análise é compartilhada pelos economistas Esther Duflo e Abhijit Banerjee, vencedores do Prêmio Nobel de Economia de 2019. Eles enfatizam a importância de melhorias nas políticas públicas, destacando o Brasil como um exemplo a ser seguido em termos de transferência social. O foco, segundo os especialistas, deve incluir a taxação de grandes fortunas, como uma forma de enfrentar desafios coletivos, como a crise climática.
Iniciativas para Enfrentar a Crise
Na busca por soluções, o governo brasileiro propõe uma subvenção de R$ 1,20 por litro para o diesel importado, esperando que os estados absorvam parte desse custo. Em outro cenário, a Mastercard reporta um prejuízo significativo devido à quebra de um banco, enquanto tenta recuperar recursos. Duflo e Banerjee, atualmente à frente da Lemann Collaborative, uma iniciativa acadêmica que integra a Fundação Lemann e a Universidade de Zurique, se reúnem em São Paulo para discutir a importância da educação e da geração de empregos para jovens brasileiros.
A Necessidade de uma Taxação Global
Os economistas também defendem a implementação de uma taxação sobre grandes fortunas a nível global para apoiar os mais vulneráveis. O mundo tem visto um aumento no número de bilionários e, consequentemente, na desigualdade. Duflo argumenta que, embora não se trate de aumentar os impostos desses indivíduos além do que é justo, a realidade é que muitos deles pagam menos impostos do que a média da população. Essa perspectiva, que inclui a posição do Brasil na presidência do G20, visa equilibrar as responsabilidades tributárias.
Desafios e Oportunidades
Apesar das dificuldades que a proposta de taxação pode enfrentar, como a resistência dos bilionários e a possibilidade de evasão fiscal, Duflo acredita que a colaboração entre nações pode facilitar a implementação. Com apenas cerca de 3 mil bilionários no mundo, ela menciona que a maioria de seu capital está concentrada no mercado financeiro, tornando a tarefa tecnicamente viável se houver vontade política.
Interligação de Problemas Sociais
Banerjee ressalta que os desafios como mudanças climáticas e crises de refugiados são interconectados. Muitas vezes, os deslocamentos forçados de pessoas ocorrem em regiões onde a vida se tornou insustentável devido a alterações climáticas. Ele sugere que oferecer suporte a esses locais poderia reduzir a necessidade de migração. Entretanto, a falta de consenso em políticas climáticas e tributação dos mais ricos impede avanços significativos. Para Banerjee, é crucial abordar esses problemas de forma integrada, visto que se reforçam mutuamente.
Mitigando os Efeitos da IA
Os riscos trazidos pela tecnologia e pela IA não afetam somente o mercado informal, mas também ameaçam a classe média, especialmente em países de renda média que se beneficiaram de serviços intelectuais. Duflo observa que ainda é cedo para prever a gravidade do impacto, mas os sinais de uma crise são evidentes. A pesquisa sobre proteção social e a transição para novas ocupações é fundamental, e há um conjunto considerável de evidências que pode ser utilizado para ajudar a mitigar esses efeitos.
Objetivos da Lemann Collaborative
A Lemann Collaborative visa garantir que as políticas públicas sejam fundamentadas em evidências robustas, utilizando o conhecimento acumulado pelo J-PAL ao longo de duas décadas. Um dos focos é estabelecer redes entre acadêmicos brasileiros e universidades, como a de Zurique, e disponibilizar cursos online, como o Micromasters, que já está em operação no Brasil pelo Insper.
Prioridades para o Futuro
Duflo aponta que a educação, especialmente na primeira infância, e a desigualdade educacional, bem como questões climáticas, são temas prioritários. Além disso, a criação de emprego para jovens, particularmente em regiões como Belém, será vital para o futuro. Os programas de transferência social do Brasil, como o Bolsa Família, são referências globais, mas agora é preciso desenvolver estratégias que levem em conta também os desafios impostos pela IA e outras mudanças tecnológicas.
