Criticas à Justificativa do Aumento Tarifário
A vereadora Vivi Reis (PSOL) voltou a expressar suas preocupações, nesta terça-feira (31), em relação ao possível aumento da tarifa de ônibus em Belém. A parlamentar contestou a justificativa apresentada pelo sindicato das empresas de transporte coletivo, que alega um ‘desequilíbrio econômico-financeiro do sistema’. Para Vivi, essa narrativa pode ser uma tática para pressionar por ajustes que prejudicam diretamente os usuários do transporte público.
As críticas surgem após a apreensão de 14 ônibus novos, conhecidos popularmente como ‘geladão’, devido à falta de pagamento à instituição financeira que financia os veículos. Desses, 12 são da Viação Monte Cristo e dois da Transportes Canadá. Este episódio levanta questões sobre a real situação financeira das empresas de transporte, o que reforça a necessidade de um controle mais rigoroso por parte do governo municipal.
“Os empresários firmaram um acordo que transformou impostos devidos em fundos para a compra de novos ônibus. Agora, é essencial que prestem contas sobre esses recursos”, destacou a vereadora, evidenciando a falta de transparência das empresas.
Transparência e Fiscalização em Debate
A crítica de Vivi Reis se insere em um debate mais amplo acerca da gestão do transporte coletivo na capital paraense. Nos últimos anos, especialistas e grupos da sociedade civil têm apontado a ausência de clareza nas planilhas de custo apresentadas pelas empresas. Essas planilhas são muitas vezes utilizadas para justificar aumentos nas tarifas em diversas cidades do Brasil.
Além disso, a vereadora reiterou sua posição contrária a qualquer novo aumento nas tarifas. “Não vamos aceitar nem um centavo a mais na passagem de ônibus”, afirmou, ressaltando o impacto que isso tem nas finanças das famílias trabalhadoras.
Em abril de 2025, o prefeito Igor Normando (MDB) já havia autorizado um aumento acima da inflação, elevando o preço da passagem de R$ 4 para R$ 4,60. Essa decisão atendeu à pressão do Setransbel, sindicato das empresas de transporte, e contrariou a promessa de campanha feita pelo prefeito de não aumentar as tarifas.
Modelo de Transporte Coletivo em Questão
A situação atual reacende o debate sobre o modelo de transporte público que depende das tarifas pagas pelos usuários. Essa estrutura é frequentemente criticada por movimentos sociais e profissionais que estudam mobilidade urbana, que pedem um controle mais efetivo do poder público, além de alternativas como a tarifa zero, já implementada em diferentes formatos em várias cidades brasileiras.
Com a apreensão dos veículos e as inconsistências identificadas, a pressão aumenta para que a prefeitura e os órgãos competentes realizem uma investigação minuciosa sobre a gestão financeira das empresas concessionárias. A população que depende diariamente do transporte coletivo não pode arcar com mais custos sem a devida transparência e responsabilidade.
