Investigação em Foco
No último dia 15 de abril de 2026, Belém (PA) foi palco de um episódio alarmante que gerou grande repercussão nas redes sociais. Um dos suspeitos de agredir um homem em situação de rua, Antônio Coelho, é filho de Renata Mirella Freitas Guimarães de Souza Coelho, diretora-geral do Departamento de Trânsito do Pará (Detran/PA), e do empresário Ulysses de Souza Coelho. Ambos estão sendo investigados pela Polícia Federal (PF) desde setembro de 2025, sob a acusação de desvio de recursos nas áreas da Saúde e Educação no estado.
O Ministério Público Federal (MPF) indicou Renata e Ulysses como alvos de investigações. Na época das suspeitas, Renata ocupava uma posição de grande influência, sendo responsável pela gestão de contratos com a empresa Líder Engenharia, que totalizavam aproximadamente R$ 8,2 milhões. As investigações revelaram que o marido de Renata, Ulysses, ex-servidor da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) e sócio da D’Fátima Construtora Ltda, recebeu R$ 600 mil da Líder Engenharia, com um retorno posterior de cerca de R$ 1,5 milhão à mesma empresa.
Segundo os investigadores, essas transações financeiras levantaram sérias questões sobre conflito de interesses, favorecimento ilícito e possíveis indícios de lavagem de dinheiro. Outro ponto preocupante é a discrepância entre o capital social da D’Fátima, declarado em R$ 14 milhões, e a realidade da sua estrutura, que consiste em uma sala comercial na região central de Belém, sem a infraestrutura necessária para justificar tal capital.
O Envolvimento do Filho no Caso
O episódio de agressão teve grande repercussão, especialmente após a divulgação de vídeos que mostram Antônio Coelho e o colega Altemar Sarmento Filho, ambos estudantes de Direito do Centro Universitário do Pará (Cesupa), atacando a vítima com uma arma de choque. O MP do Estado do Pará (MP-PA) confirmou que está monitorando o caso e que serão adotadas as medidas adequadas, incluindo a abertura de um Inquérito Policial e possível denúncia, ressaltando a importância da defesa dos direitos das pessoas em situação de rua.
Nesta terça-feira, 14, o Cesupa também se manifestou, informando que os alunos envolvidos foram afastados das atividades acadêmicas. Em comunicado, a instituição anunciou a abertura de um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) e afirmou que tomou essa decisão em resposta à gravidade da situação.
Antônio Coelho foi identificado como quem registrou as agressões com um celular e compareceu voluntariamente à delegacia para prestar depoimento, sendo liberado em seguida. Altemar, por sua vez, é considerado pela polícia como o autor direto das agressões.
Posicionamento da OAB-PA
A Ordem dos Advogados do Brasil – seccional Pará (OAB-PA) também se posicionou sobre o caso, através de suas Comissões de Direitos Humanos e Igualdade Racial. A entidade argumentou que o ocorrido reflete uma manifestação de racismo estrutural, enfatizando que a violência contra pessoas em situação de rua é inadmissível. A OAB-PA exige uma investigação rigorosa e a responsabilização dos envolvidos, destacando ainda a importância de não ignorar a dimensão racial presente na situação.
O caso gera discussões amplas sobre a violência e a discriminação que pessoas em situação de vulnerabilidade enfrentam, além de levantar questões sobre a relação entre poder público e interesses privados, principalmente em um contexto onde a ética e a responsabilidade são constantemente questionadas.
