Debate sobre Ciência e Equidade
A Universidade Federal do Pará (UFPA) será o palco, entre os dias 27 e 30 de abril de 2026, da etapa Belém/Amazônia do “Seminário Internacional Mulheres Negras e Quilombolas nas Ciências: diálogos entre Brasil, África e Caribe”. Este evento propõe um espaço de diálogo, reunindo pesquisadoras, estudantes e lideranças de diferentes regiões do Brasil, além de representantes de entidades africanas e caribenhas, para discutir temas cruciais como acesso, permanência, justiça social e a produção de conhecimento no ensino superior, com um olhar especial para a equidade racial e de gênero.
Com a iniciativa integrada ao projeto “Mulheres Quilombolas nas Ciências: políticas de permanência e produção de subjetividades”, que recebe apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o seminário visa articular pesquisa, formação e incidência política. O objetivo é consolidar redes que promovam as epistemologias negras e quilombolas, fortalecendo vozes que há muito estão à margem do conhecimento tradicional.
A organização do evento está sob a responsabilidade da professora Flávia Cristina Silveira Lemos, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFPA, e conta com o apoio do Grupo de Pesquisa “Transversalizando”. A equipe organizadora também inclui instituições e grupos de diversas partes do Brasil, como parte da Nucleação Norte, Nordeste e Amazônia Legal, que trabalha em parceria com a Incubadora Social Feminista Antirracista e o Observatório, ambos relacionados ao INCT Caleidoscópio – instituição focada em iniquidades, desigualdades e violências de gênero e sexualidade.
Além disso, o seminário conta com a colaboração do Programa de Pós-Graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo da Universidade Federal da Bahia (UFBA), ampliando a rede de conhecimento e apoio entre universidades e pesquisadores.
Temas em Debate e Ações Propostas
A programação do seminário é rica e abrangente, incluindo reflexões sobre políticas de permanência, ações afirmativas e questões relacionadas à saúde mental e à educação antirracista. Os participantes também terão a oportunidade de discutir epistemologias silenciadas, pedagogias decoloniais e o enfrentamento do racismo. Desta forma, o evento não se limita a debater políticas públicas, mas também se debruça sobre como práticas cotidianas impactam a experiência acadêmica.
O seminário busca evidenciar desafios como o racismo institucional e a deslegitimação de saberes não hegemônicos. Nesse sentido, as trajetórias de mulheres negras, quilombolas, africanas e caribenhas são vistas como formas de resistência e reinvenção, o que desafia e transforma a maneira tradicional de produzir ciência.
A abertura do evento promete ser marcante, com uma apresentação cultural quilombola que incluirá danças tradicionais como o carimbó e o samba de cacete. Além disso, uma mesa institucional contará com a participação de representantes de universidades, órgãos públicos e movimentos sociais, que contribuirão para um diálogo construtivo e inclusivo.
Durante os quatro dias de seminário, a programação se divide entre mesas-redondas, painéis temáticos e atividades culturais, abordando temas como cooperação internacional Sul-Sul, justiça climática e saberes tradicionais. A elaboração de um documento final com recomendações para fortalecer a equidade racial e de gênero nas ciências também está prevista.
Acesso e Certificação
Importante ressaltar que o seminário é gratuito e aberto tanto à comunidade acadêmica quanto à sociedade civil. As atividades acontecerão em um formato híbrido, com sessões presenciais no Auditório do Instituto de Educação Matemática e Científica (IEMCI/UFPA) e transmissão online. Aqueles que se inscreverem previamente e mantiverem frequência mínima de 75% nas atividades receberão um certificado com carga horária de 30 horas. As inscrições podem ser feitas diretamente no site do evento.
