Inovação e Sustentabilidade na Escola Estadual Prof.ª Maria Belém
No interior do Amazonas, o reaproveitamento de resíduos está se mostrando uma prática inovadora e educativa. Estudantes do 3º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Prof.ª Maria Belém, em Barreirinha, desenvolveram um sabonete esfoliante utilizando borra de café. Este projeto foi apoiado pelo Governo do Estado, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), e faz parte do Programa Ciência na Escola (PCE), que integra educação e experimentação científica com foco na sustentabilidade.
A proposta foi coordenada pela professora de Química, Karliany de Souza Lima, que orientou os alunos a explorarem as potencialidades de um resíduo comum. De acordo com informações da Fapeam, a escolha da borra de café se deu por suas propriedades benéficas para a pele, incluindo características antioxidantes e anti-inflamatórias. Essa abordagem prática não só visa a produção de um cosmético, mas também encoraja os alunos a pensarem sobre a reutilização de materiais que, muitas vezes, são descartados sem aproveitamento.
Mais do que uma simples atividade educacional, o trabalho teve como objetivo instigar nos alunos uma visão pragmática da ciência. A pesquisa, intitulada “Produção de sabonete esfoliante a partir do reaproveitamento da borra de café”, foi realizada com apoio do edital nº 002/2024 do PCE, permitindo aos estudantes aprofundar seus conhecimentos no âmbito do Ensino Presencial com Mediação Tecnológica.
Processo de Criação e Desenvolvimento do Produto
Durante o projeto, foram elaborados dois tipos diferentes de sabonetes esfoliantes, cada um com composições variadas. Esse processo demonstrou que a reutilização da borra de café pode ser realizada de maneira simples, voltada para o uso doméstico, ou com um viés comercial já mais elaborado. A construção do sabonete envolveu uma série de etapas, incluindo estudos teóricos, elaboração de documentos, gravação de vídeos e testes práticos, até que a qualidade esperada fosse atingida.
Na fase de formulação do sabonete, os alunos utilizaram uma combinação de ingredientes como óleo de amêndoas, sabonete glicerinado, base de glicerina, glicerina líquida, álcool de cereais, lauril (sulfato de sódio) e, claro, a borra de café. Conforme a Fapeam, o tempo total para produção do sabonete foi de 24 horas. Essa experiência prática permitiu que os alunos acompanhassem todo o ciclo, desde a concepção até a validação do produto final.
Avaliação e Impacto na Comunidade
A avaliação do sabonete não se restringiu apenas à sala de aula. A comunidade local participou do projeto, com 20 voluntários testando o produto e analisando aspectos como textura, aroma, dureza e durabilidade. Os resultados foram positivos, com 12 voluntários relatando ter gostado muito do sabonete, o que reforçou a aceitação da proposta e a viabilidade do experimento.
Além da aplicação técnica, essa iniciativa também contribuiu para a formação cidadã e ambiental dos estudantes. A proposta estimulou tanto a escola quanto a comunidade a buscar soluções para desafios socioambientais, promovendo práticas sustentáveis que visam a preservação do meio ambiente. Dessa forma, o projeto transcendeu a simples fabricação de sabonetes, oferecendo uma experiência sólida de educação científica aplicada ao contexto local.
Karliany de Souza Lima destacou a importância do apoio da Fapeam, que é fundamental para aproximar os jovens das áreas científicas. As bolsas oferecidas pela fundação não apenas auxiliam nas despesas, mas também são um incentivo para que os alunos se envolvam em projetos científicos e assumam um papel ativo em sua formação acadêmica.
O Impacto do Programa Ciência na Escola
O Programa Ciência na Escola, promovido pela Fapeam, tem como propósito apoiar professores e estudantes de ensino fundamental e médio em projetos de pesquisa científica e inovação tecnológica nas escolas públicas estaduais do Amazonas. Além de fortalecer a cultura científica desde a educação básica, o programa abre espaço para soluções criativas que geram impacto social e ambiental.
Neste caso, a borra de café, um resíduo frequentemente descartado, se transformou na matéria-prima de um experimento que une ciência, sustentabilidade e protagonismo estudantil. Em Barreirinha, a ação evidencia que a inovação pode surgir das escolas e que, com apoio e orientação, ideias simples podem se transformar em aprendizados relevantes e em alternativas aplicáveis no cotidiano.
