Um Geoparque que Une Paleontologia, Educação e Desenvolvimento Sustentável
Na região central do Rio Grande do Sul, entre paisagens encantadoras e pequenas cidades, a história dos dinossauros ganhou uma nova vida. O projeto na Quarta Colônia não se limita a ser um mero estudo científico, mas evolui para uma experiência coletiva que transforma o patrimônio paleontológico em um atrativo turístico. Este local, agora reconhecido como Geoparque Mundial da Unesco em 2023, abrange nove municípios: Agudo, Dona Francisca, Faxinal do Soturno, Ivorá, Nova Palma, Pinhal Grande, Restinga Seca, São João do Polêsine e Silveira Martins. A da certificação não se deu somente pela relevância dos fósseis encontrados, alguns dos mais antigos do planeta, mas pela construção de uma estratégia integrada que abrange ciência, educação e desenvolvimento econômico local.
Eduarda Brum, diretora do Geoparque, enfatiza a necessidade de ir além do mero reconhecimento do patrimônio. “Para realmente aproveitar essa riqueza, precisamos estabelecer uma estratégia de desenvolvimento sustentável que envolva a comunidade”, afirma. O projeto se baseia em três pilares fundamentais: geoeducação, geoturismo e geoconservação. Essas diretrizes se traduzem em ações práticas, como visitas escolares, capacitação de empreendedores locais e aprimoramento das atrações turísticas.
O Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (Cappa) desempenha um papel central nesse processo. Além de ser um núcleo importante para a pesquisa científica, o Cappa se tornou um dos principais pontos de visitação da região. A diretora destaca que quem visita o local para aprender sobre paleontologia acaba, por consequência, conhecendo a cultura, a culinária e a paisagem da região. “O Cappa nos proporciona a oportunidade de mostrar a ciência em ação e atrair visitantes de diversos lugares”, ressalta Eduarda.
Esse aumento no fluxo de visitantes tem um impacto positivo que vai além da paleontologia. Restaurantes, hotéis, propriedades rurais e pequenos negócios estão se conectando em torno de uma narrativa comum: a união entre natureza, história e conhecimento. Nos últimos anos, especialmente após o reconhecimento da Unesco, o número de visitantes, incluindo turistas internacionais, teve um crescimento notável. A percepção, agora, é de que a Quarta Colônia pode se firmar como um destino turístico mais robusto no Rio Grande do Sul. O desafio atual é integrar esse potencial em uma rede coesa, fazendo com que os visitantes circulem por todos os atrativos da região.
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“É uma rede de colaboração. Os municípios estão interligados, promovendo uns aos outros. Uma visita ao Cappa pode se estender a um delicioso almoço, uma caminhada pela natureza ou uma experiência cultural nas cidades vizinhas. Essa interconexão beneficia todos”, conclui a diretora do Geoparque.
São João do Polêsine: Uma Nova Rota Turística
São João do Polêsine, sede do Cappa, transformou-se em um destino turístico vibrante, alavancando a paleontologia como um atrativo. A prefeita Jaqueline Milanesi afirma que o reconhecimento internacional mudou a percepção dos moradores sobre a região. “Antes, éramos vistos como um lugar sem atrativos. Agora, as pessoas estão percebendo a riqueza que temos e as oportunidades que isso traz”, comemora.
O impacto nas empresas locais é palpável. No restaurante temático Dino Cammino, inspirado por dinossauros, o objetivo é oferecer aos visitantes uma experiência que dialogue com a identidade da cidade. “A cidade é marcada pela paleontologia, e é crucial que o turista tenha uma experiência completa”, explica o gerente Francis dos Passos. O movimento na casa cresce especialmente durante os fins de semana, quando turistas, muitos deles de países vizinhos, ampliam seus roteiros para conhecer o município.
Conforme Francis, a certificação da Unesco teve um papel significativo na atração de visitantes. Para o futuro, o restaurante planeja forjar parcerias com roteiros turísticos, trilhas e atividades educativas, promovendo uma integração ainda maior entre os diferentes pontos turísticos da região. A prefeita enfatiza a importância de transformar o crescente interesse em um desenvolvimento sustentável. “Temos uma identidade única, uma rica história e uma cultura forte. Precisamos potencializar isso e mostrar ao visitante tudo o que a Quarta Colônia e, especialmente, São João do Polêsine têm a oferecer”, afirma.
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Fonte: aquiribeirao.com.br
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Fonte: olhardanoticia.com.br
Candelária e o Acervo Paleontológico
Candelária, embora fora da Quarta Colônia, também se destaca no cenário paleontológico do Rio Grande do Sul. O Museu Municipal Aristides Carlos Rodrigues apresenta uma das mais completas exposições de fósseis da região, com cerca de 50 espécimes pré-históricos. Carlos Rodrigues, curador voluntário do museu, destaca que o local não apenas expõe fósseis, mas também promove atividades educativas e de preservação.
“A instituição participa da identificação de novos afloramentos e na divulgação do material paleontológico encontrado”, explica Rodrigues. Um dos destaques do acervo é uma mandíbula de um fóssil inédito, batizado de Candelariodon barberenai, que se tornou o registro número 1 da coleção do museu.
A relevância do patrimônio paleontológico em Candelária é inegável. Rodrigues conclui que o encontro com esses fósseis é uma forma de materializar a certeza da existência da pré-história, revelando a riqueza do município.
Potencial dos Geoparques no Rio Grande do Sul
O governo do Rio Grande do Sul reconhece a importância dos geoparques como uma estratégia para diversificar o turismo no estado. Álvaro Machado, coordenador do Comitê Gaúcho de Geoparques, ressalta a riqueza paleontológica da região, que possui um potencial imenso para o turismo. “Além dos fósseis, a presença deles pode gerar uma cadeia produtiva significativa para o setor turístico”, comenta.
O estado abriga metade dos seis geoparques reconhecidos pela Unesco no Brasil, incluindo a Quarta Colônia, Caçapava do Sul e Caminhos dos Cânions do Sul. Outros projetos, como Raízes de Pedra e o Geoparque Triássico Vale do Rio Pardo, estão em desenvolvimento. Machado acredita que a consolidação desses territórios transforma um patrimônio que antes era visto apenas por especialistas em um produto turístico acessível a todos, de pesquisadores a famílias em busca de novas experiências.
Contudo, desafios ainda persistem, como a necessidade de estruturar rotas integradas e melhorar a promoção turística. Apesar disso, o futuro parece promissor. “Após mais de 30 anos observando o turismo no estado, posso afirmar que estamos vivendo um novo momento para regiões como a Quarta Colônia”, finaliza.
O que é um Geoparque?
Geoparques são áreas reconhecidas por possuir patrimônios naturais de grande valor, como formações geológicas, fósseis e paisagens únicas. Eles utilizam essa riqueza para promover a educação, o turismo e o desenvolvimento sustentável. Mais do que preservar rochas ou sítios científicos, eles conectam ciência e comunidade, incentivando o cuidado com o meio ambiente e a valorização da cultura local.
