O Papel do PCT Guamá na Inovação no Pará
O Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá, uma iniciativa do governo do Estado, é um marco no fomento à ciência, tecnologia e inovação na Amazônia. Inaugurado em dezembro de 2010, o complexo foi idealizado por pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA), recebendo recursos públicos estaduais e federais para sua implementação. O planejamento inicial do PCT Guamá remonta a um edital da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), datado de 2004, e contou com a colaboração de renomados professores da UFPA, como Ubiratan Bezerra, João Weyl, Renato Francês e Emília Tostes.
Ubiratan Bezerra, coordenador do projeto na época, recorda o entusiasmo do governo estadual em apoiar a construção do parque. “O governo demonstrou grande interesse em participar do desenvolvimento, focando na estruturação de um parque tecnológico que facilitasse a inovação e o crescimento econômico”, comenta. A equipe técnica envolvida no projeto inicial foi integrada à Secretaria de Ciência e Tecnologia, dando origem à gestão compartilhada do PCT Guamá com o Governo do Pará.
Conectando Inovação e Desenvolvimento Regional
O PCT Guamá foi projetado como parte de um planejamento que visava criar um sistema regional de inovação no Pará, capaz de valorizar os recursos da Amazônia e consolidar o Estado como um polo de inovação no Brasil. Maurílio Monteiro, professor e pesquisador que liderou a Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia na época, ressalta a importância das conexões entre empreendedores, acadêmicos e setores industriais. “O PCT foi pensado como um canal estratégico para promover essa interconexão”, afirma.
Para Ubiratan e Maurílio, a presença de um parque tecnológico no Pará representa uma oportunidade de crescimento atrelada à inovação. “Observando parques em outras partes do mundo, fica claro que eles criam ambientes propícios onde demandas sociais se unem a pesquisas e capacidade técnica, aumentando as chances de transformar conhecimento em inovações concretas”, destaca Maurílio. Esse conceito reforça a missão do PCT Guamá: transformar ciência em produtos, processos e soluções que atendam às demandas da sociedade.
Áreas de Atuação e Desafios Enfrentados
A criação do ambiente de inovação no Pará envolveu um foco em áreas estratégicas como biotecnologia, tecnologia da informação e energia. “A tecnologia da informação integra diversos setores; a biotecnologia traz transformações; a energia é fundamental para o futuro. A mineração também é um setor-chave onde esses elementos se interagem”, explica João Weyl, refletindo sobre o modelo inicial elaborado durante a fundação do PCT.
Um dos grandes desafios para a implementação do PCT Guamá foi assegurar o financiamento do projeto, superado com a ajuda do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que disponibilizou cerca de R$ 50 milhões. A execução de obras de infraestrutura, como drenagem e eletricidade, também se mostrou complexa. Ubiratan destaca a criação do Sistema Paraense de Inovação (SIPI), que articulou agentes regionais em torno do desenvolvimento tecnológico e econômico.
Perspectivas Futuras e Inovações na Amazônia
O PCT Guamá tem se consolidado como um espaço inovador, refletindo a necessidade de um desenvolvimento mais consciente e adaptado à realidade amazônica. A transformação de produtos e processos que respeitem a diversidade local é um dos objetivos centrais do parque, segundo Maurílio Monteiro. “O Parque busca modificar a lógica atual, promovendo alternativas que valorizem a riqueza da Amazônia e incentivem a inovação com valor agregado”, enfatiza.
Para Ubiratan, a trajetória do PCT Guamá está alinhada com as principais demandas tecnológicas do Pará e da região amazônica. “As biotecnologias estão na vanguarda, assim como os desenvolvimentos em mobilidade elétrica”, destaca, citando inovações que vão desde a mobilidade fluvial até novas abordagens em inteligência artificial que estão sendo incorporadas nos processos produtivos do parque.
Gestão e Futuro do PCT Guamá
Desde sua criação, a gestão do PCT Guamá tem sido conduzida pela Fundação Guamá, que possui experiência em ambientes de inovação. João Weyl, diretor-presidente da fundação, ressalta a importância da comunicação e da difusão do conhecimento produzido no parque. “Estamos sempre atentos às oportunidades de alocação de recursos e à necessidade de mostrar o valor do que é feito aqui”, finaliza. A gestão competente e as iniciativas inovadoras colocam o PCT Guamá em destaque como um modelo a ser seguido na promoção da ciência e tecnologia na Amazônia.
