Investimentos e Inovações para a Segurança Eleitoral
O Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) anunciou um orçamento de R$ 92,9 milhões para as Eleições Gerais de 2026, um valor atualizado conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Este investimento visa garantir a infraestrutura necessária para realizar dois turnos de votação em todos os municípios do estado. O recurso será utilizado para oferecer suporte em quase 6 mil locais de votação e operar mil pontos de transmissão de resultados, assegurando a transparência e a agilidade do processo eleitoral, considerando as complexidades geográficas e climáticas da região amazônica.
Em entrevista ao Grupo Liberal, Bruno Giorgi Almeida, diretor-geral do TRE, explicou as estratégias para regularizar cerca de 350 mil eleitores que ainda não possuem cadastro biométrico até o prazo de 6 de maio. O plano inclui a contratação de 1.100 técnicos especializados e a utilização de 400 antenas satelitais para atender áreas remotas. Para descentralizar o atendimento e facilitar o fluxo de cidadãos, será montado um posto de atendimento na Arena Guilherme Paraense (Mangueirinho) entre os dias 29 de abril e 6 de maio.
Regularização e Acesso à Biometria
Na entrevista, Bruno detalhou o cenário do eleitorado sem biometria no Pará, composto por mais de 6 milhões de eleitores, dos quais 350 mil ainda não estão regularizados. Este número inclui muitos que se alistaram durante a pandemia, quando as coletas de dados foram suspensas. Para atender essa demanda, o projeto “Retoma Bio – A Democracia em Movimento” foi implementado. A primeira fase focou em regiões remotas e periféricas, enquanto a segunda fase, iniciada este ano, concentra esforços nas grandes cidades e sedes eleitorais, onde a maioria dos não biometrizados reside.
“Estamos utilizando o WhatsApp para convocar esse público, que geralmente possui maior acesso à tecnologia”, comentou Almeida. Com a nova estratégia, o TRE planeja realizar disparos em massa para 500 mil eleitores. Para garantir a autenticidade das mensagens, a conta utilizada para os envios será identificada com o nome oficial do Tribunal e um selo azul de verificação para evitar possíveis golpes.
Mobilização para o Cadastro e Importância da Biometria
Sobre a logística e a mobilização para o cadastro biométrico, Almeida ressaltou que a ação ocorrerá em todos os cartórios e zonas eleitorais do Pará. O eleitor poderá se dirigir ao posto mais próximo, independentemente de onde resida. Para atender aqueles que trabalham ou estudam durante a semana, mutirões de atendimento serão realizados aos fins de semana, além de outros mutirões programados antes do fechamento do cadastro.
A importância da biometria foi enfatizada por Almeida, que destacou que o sistema biométrico é crucial para garantir a integridade do voto e prevenir fraudes. A interligação entre a captura da foto e das impressões digitais cria um processo mais seguro, refletindo a vontade do eleitor. Ele observou que, devido ao aumento no número de cargos a serem escolhidos nas próximas eleições, a agilidade no processo de votação é ainda mais necessária para evitar filas extensas.
Orçamento e Desafios Logísticos
O orçamento estimado para as eleições 2026 é de aproximadamente R$ 85 milhões, montante que, segundo Almeida, é justificado pelas dimensões continentais do Pará e pela logística necessária para garantir que as urnas cheguem a todos os eleitores. “Na última eleição, enfrentamos desafios logísticos significativos, como a seca que dificultou a navegação em alguns rios, o que nos obrigou a buscar alternativas de transporte, como helicópteros, que também foram prejudicados pelas queimadas”, explicou.
Além da logística, os custos incluem a contratação de pessoal especializado, capacitação de mesários e o investimento em tecnologia e inteligência artificial para monitorar irregularidades. O TRE-PA está se preparando para um grande treinamento centralizado para os mesários da Região Metropolitana de Belém, além de planos para combate à desinformação durante o período eleitoral.
Futuro Eleitoral e Inclusão no Processo Democrático
Em relação à desinformação, Almeida mencionou que a Secretaria de Tecnologia da Informação do TRE está avaliando a criação de ferramentas próprias para fiscalizar e combater crimes eleitorais. O uso de canais tradicionais, como rádio comunitária e carros de som, será crucial para comunicar informações e combater boatos, especialmente em áreas onde a internet é menos acessível.
Almeida enfatizou a importância de manter a transparência em todas as etapas do processo eleitoral. As cerimônias de lacração das urnas, por exemplo, são realizadas com a presença de representantes de partidos, advogados e candidatos, garantindo fiscalização direta. Em um cenário de crescente inclusão, a atuação do TRE busca atender a um eleitorado que se rejuvenescendo, incluindo diferentes perfis sociais e etários, desde jovens até idosos que buscam se engajar no processo democrático.
Por fim, o recado de Almeida aos eleitores que ainda não estão regularizados é claro: é essencial que procurem o cartório eleitoral mais próximo o quanto antes para evitar transtornos. O não cumprimento do prazo pode levar a sanções civis, como a suspensão de benefícios e a impossibilidade de realizar matrícula em instituições de ensino.
