Transformação pelo empreendedorismo: a história de Monique Elma
Era cedo quando Monique Elma começou a organizar flores sobre a bancada da floricultura onde trabalhava. Entre rosas, margaridas e flores do campo, o aroma doce do local contrasta com as dificuldades que ela enfrentou ao longo da vida. Natural de Oeiras do Pará, Monique chegou a Belém aos seis anos, acompanhando seus pais agricultores em busca de melhores condições para a família. Cresceu em um ambiente simples, marcado por muito esforço e desafios financeiros.
Apesar da infância modesta, Monique guardava um fascínio pelas flores que a acompanharia por toda a vida. Aos 15 anos, tornou-se mãe solo e precisou interromper os estudos para assumir novas responsabilidades. Depois de um período fora, voltou a Belém decidida a construir um futuro melhor para seu filho.
Antes de empreender no ramo floral, Monique acumulou experiências em academias, restaurantes, lanchonetes, serviços domésticos e vendas. A necessidade de sustentar o filho a motivava a aproveitar todas as oportunidades que surgiam.
Foi na floricultura que encontrou seu verdadeiro propósito. Quando a loja onde trabalhava fechou, ela decidiu abrir o próprio negócio, mesmo sem capital e experiência suficiente. A primeira floricultura, porém, enfrentou problemas com a refrigeração das flores no clima quente e úmido de Belém, o que levou à perda total do estoque e à falência em apenas dois meses.
Apesar do revés, Monique não desistiu. Recomeçou vendendo arranjos em casa e, aos poucos, conseguiu se reerguer financeiramente. Posteriormente, abriu um quiosque em um shopping da capital, uma etapa fundamental para sua trajetória. A pandemia, contudo, trouxe novos desafios e o espaço precisou ser fechado, exigindo mais uma reinvenção.
Hoje, a Flor e Flor, localizada em Belém, é a principal fonte de renda da família e gera emprego para oito colaboradores. A história de Monique reflete a realidade de milhares de pequenos empreendedores paraenses que, motivados pela necessidade, encontram no empreendedorismo uma oportunidade de transformação social e financeira.
Leia também: Empreendedorismo Feminino: 15 Histórias Inspiradoras de Mulheres de Negócios
Leia também: Empreendedorismo Feminino: Mulheres Transformam Sonhos em Negócios e Movimentam Comunidades
Pequenos negócios: base da economia paraense
Conforme dados do Caged analisados pelo Sebrae/PA, os pequenos negócios representam 97% das empresas no Pará e respondem por 94% dos empregos formais gerados no estado em 2025. Segundo Igo Silva, gerente da Unidade de Negócios de Impacto do Sebrae/PA, esses empreendimentos são fundamentais para o desenvolvimento econômico e social das comunidades locais.
“Os pequenos negócios movimentam a economia local, geram empregos e criam oportunidades de renda, especialmente em bairros, distritos e cidades do interior”, afirma Silva. Ele destaca que muitos empreendedores começam por necessidade, mas conseguem crescer ao transformar suas atividades em negócios estruturados, com formalização, planejamento e capacitação constante.
O caminho da independência financeira: o exemplo de Fatiane Gaia
Assim como Monique, a microempreendedora Fatiane Gaia encontrou no empreendedorismo uma forma de superar desafios. Natural da comunidade de Pindobal Mirim, próxima a Cametá, Fatiane assumiu responsabilidades desde cedo, trabalhando em residências desde os oito anos até os 15.
Ao chegar a Belém, ainda adolescente, aceitou um emprego como auxiliar em salão de beleza, mesmo sem experiência prévia. Com poucos recursos, montou seu primeiro espaço de atendimento em um quarto de casa, equipado apenas com o básico: um espelho pequeno, cadeira, lavatório, escova e secador.
Apesar de adoecer logo na primeira semana, Fatiane perseverou e, com o tempo, expandiu seu negócio para a sala da residência da família e, posteriormente, para um imóvel maior em Ananindeua. Atualmente, lidera uma equipe de nove mulheres, muitas delas vindas do interior do Pará em busca de oportunidades.
“Trabalhar com beleza me permite transformar vidas”, afirma. Ela incentiva sua equipe a enxergar-se como empreendedoras de suas próprias carreiras, promovendo autonomia e fortalecimento feminino.
Leia também: Pará Capacita Mais de 28 mil Mulheres e Fortalece o Empreendedorismo Feminino
Leia também: Feira Pará Negócios 2026: R$ 40 Milhões e 32 Mil Visitantes em Belém
Desafios e apoios para os pequenos empreendedores no Pará
Além das questões emocionais e práticas, as empreendedoras enfrentam desafios ligados à administração, liderança, finanças e gestão de equipe. Igo Silva ressalta que obstáculos como acesso ao crédito, logística e adaptação tecnológica ainda impactam os pequenos negócios no estado.
“O Pará, com sua dimensão continental, apresenta dificuldades específicas, como logística e acesso à informação qualificada. O Sebrae/PA atua para transformar esses desafios em oportunidades, oferecendo capacitação, consultorias e incentivo à transformação digital”, explica.
Atualmente, o Sebrae/PA está presente em todos os 144 municípios paraenses, por meio das Salas do Empreendedor e agências regionais, apoiando o crescimento sustentável dos pequenos negócios.
A trajetória de Fatiane, que saiu do interior para liderar um negócio consolidado, exemplifica a força e a coragem necessárias para empreender. “Empreender exige coragem todos os dias, mas é apaixonante”, conclui.
Entre flores, espelhos e secadores, Monique e Fatiane simbolizam a capacidade do empreendedorismo feminino paraense em transformar vidas, gerar renda e fortalecer a economia local.
