Leptospirose: Um Perigo em Tempos de Chuvas
Com a chegada do período de chuvas intensas no Pará, é fundamental que a população mantenha um nível elevado de atenção para evitar a leptospirose. Esta doença infecciosa representa um risco maior especialmente em áreas alagadas, uma situação comum durante o inverno na região amazônica.
A leptospirose é provocada pela bactéria Leptospira, que é encontrada na urina de ratos. Curiosamente, os roedores contaminados não apresentam sintomas da doença, mas são responsáveis pela liberação da bactéria no ambiente. Essa bactéria pode sobreviver por longos períodos em esgotos e locais úmidos. Durante as chuvas, a água eleva a contaminação para a superfície, aumentando consideravelmente o risco de infecção entre os humanos.
A contaminação acontece principalmente quando a pele, especialmente se houver ferimentos, entra em contato com água ou lama contaminada. Especialistas alertam que a doença também pode ser contraída por meio da mucosa ou mesmo pela pele íntegra após um tempo prolongado em contato com água ou lama infectada. O consumo de alimentos ou água contaminados também é uma via de infecção bastante preocupante.
Os primeiros sintomas da leptospirose costumam aparecer cerca de oito dias após o contato com a bactéria, e incluem febre, dor de cabeça e dores musculares, com ênfase na panturrilha. O diagnóstico, no entanto, pode ser desafiador, pois os sintomas são semelhantes aos de outras doenças comuns na região, como dengue, chikungunya e zika. Portanto, é vital que o paciente informe ao médico sobre qualquer contato prévio com esgoto, lixo ou água parada nas ruas.
Em casos mais severos, a leptospirose pode evoluir para sintomas graves como icterícia (pele amarelada), hemorragias nos olhos e insuficiência renal, podendo ser fatal se não tratada com a devida urgência.
Dados epidemiológicos da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) revelam que em 2025, foram confirmados 151 casos de leptospirose no Pará, com a maioria das infecções ocorrendo entre janeiro e abril. Dentro desse contexto, Belém registrou 53 casos, Óbidos 16, e Castanhal 11. No início de 2026, até fevereiro, houve a notificação de quatro novos casos, sendo três em Santarém e um em Breves.
Medidas de Prevenção Contra a Leptospirose
Para evitar a leptospirose, algumas medidas de prevenção são essenciais:
- Evitar o acúmulo de lixo e água parada.
- Utilizar calçados fechados ao andar em áreas alagadas, protegendo os pés.
- Consumir apenas água tratada.
- Não deixar restos de alimentos de animais de estimação expostos, pois isso pode atrair roedores.
- Evitar alimentos de origem duvidosa ou que possam ter estado em contato com ratos.
- Não tomar banho em canais, igarapés, açudes e riachos localizados próximos a áreas infestadas por roedores.
Se surgirem sintomas, os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) devem buscar atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA) para uma avaliação inicial.
