Uma celebração que une gerações em Ananindeua
A Seleção Brasileira entra em campo neste domingo (5) para o confronto das oitavas de final contra a Noruega, na Copa do Mundo de 2026. Em Ananindeua, a data ganha um significado especial para a família Kutaca. Na rua Júlia Cordeiro, no bairro Águas Lindas, a paixão pelo futebol se mistura à tradição e à cultura popular, reunindo diferentes gerações em uma grande confraternização.
Futebol e tradição: união de paixões
Entre os muitos brasileiros que vivem intensamente o Mundial, os Kutaca se destacam por transformar o evento em uma festa que vai além do esporte. Conhecida na cidade, a família é marcada pela rivalidade entre Remo e Paysandu na maior parte do tempo, mas a cada quatro anos, o verde e amarelo predominam e todos se juntam para apoiar a Seleção Brasileira.
Essa paixão pelo futebol caminha lado a lado com a tradição do Boi Kutaca, manifestação cultural iniciada por Emílio Xavier do Nascimento há mais de 70 anos, e que é mantida pelas novas gerações. Durante a Copa do Mundo, a confraternização ganha ainda mais força ao unir o espírito do Mundial com a celebração junina.
Legado e memória familiar mantidos vivos
Manoel Paulino, funcionário público de 65 anos, destaca que a reunião familiar acontece desde as primeiras Copas que acompanhou. “Desde que começou a Copa, vai crescendo a geração. Iniciamos pela rua Júlia Cordeiro, depois passamos para dentro de casa por situações que aconteceram no decorrer dos anos, mas sempre fazemos essa confraternização. Estamos torcendo pelo nosso país para que outros jovens se tornem atletas e venham defender a Seleção”, conta.
Além do futebol, Manoel ressalta a importância de preservar a história do Boi Kutaca. “A brincadeira do boi foi resgatada pelo meu irmão Eduardo Kutaca. Sempre foi uma tradição e nós, como família, estamos sempre juntos ajudando. Este ano foi uma confraternização dupla, com o Boi Kutaca e a Copa do Mundo. Isso só traz alegria para todos nós”, afirma.
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Segundo ele, a manifestação cultural permanece graças ao legado do patriarca da família. “O que faz o Boi Kutaca vivo é o nosso pai, Emílio Xavier do Nascimento. Foi ele quem começou, há mais de 70 anos, fazendo o ‘malhadinho’. Tenho uma gratidão enorme por isso. Ainda guardo um pandeiro e um apito utilizados naquela época. São os únicos dois objetos que restaram da geração do meu pai”, destaca.
Nova geração assume o compromisso de preservar a tradição
Aos 33 anos, Antonyo Alencar representa a continuidade dessa história. Ele recorda que, ainda criança, viveu o último título mundial conquistado pelo Brasil, em 2002. “É uma responsabilidade muito grande repassar essa tradição aos mais jovens. Graças a Deus consegui acompanhar o título de 2002, mas tinha apenas 10 anos. Sabia que era importante, mas hoje entendo a dimensão daquela conquista. Junto com meus tios e primos, estou sendo esse elo para continuar esse legado”, afirma.
Para Antonyo, é fundamental que a atual geração experimente o significado da Copa do Mundo da mesma forma que as anteriores, mantendo viva a confraternização e o amor pelo futebol que sempre fizeram parte da família. “Essa Copa é muito importante. Os mais velhos já acompanharam alguns títulos, eu também vivi um deles, e os mais novos estão conhecendo esse momento agora. Eles precisam sentir o quanto é grandioso conquistar o hexacampeonato. Cabe a nós manter essa festa e essa paixão”, complementa.
Futebol como religião e rituais familiares
Na família Kutaca, o futebol ultrapassa o campo do entretenimento. Antonyo explica que os jogos são cercados de rituais e superstições que todos respeitam. “Futebol aqui é religião. Tanto Paysandu quanto Remo são religião para nós, mas durante a Copa todos se unem. Respiramos futebol. Nossas reuniões são sobre futebol. Todo mundo tem alguma superstição: usar a mesma camisa, assistir no mesmo lugar ou até evitar que alguém participe do próximo jogo se esteve presente em um resultado ruim”, revela.
A preparação para as partidas envolve toda a família. A tradição de acompanhar o Arrastão do Pavulagem será mantida, mas com brevidade para que todos estejam juntos para o jogo da Seleção às 17h deste domingo.
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“Meus primos e tios pintaram o chão e enfeitaram a casa com bandeirinhas. É uma festa enorme. Estamos vivendo essa Copa intensamente e já pensamos no jogo do Brasil contra a Noruega. Vamos ao Arraial do Pavulagem mais cedo para voltar a tempo de assistir juntos. Está sendo incrível viver tudo isso ao lado da minha família”, conta Antonyo.
Promessas, emoção e união durante o Mundial
A torcida da família também é marcada por promessas. Manoel Paulino diz que, se o Brasil conquistar o hexacampeonato, cumprirá um desafio em homenagem a Ronaldo Fenômeno. “Já falei para o meu filho: se formos hexa, vou raspar a cabeça. Vamos homenagear o Ronaldo (o famoso corte Cascão)”, comenta.
Antes mesmo da bola rolar, as superstições aparecem. Emanuelle Ferreira, de 31 anos, integrante da família, relata uma tradição que surgiu espontaneamente. “Desde que começamos a assistir aos jogos, criamos algumas superstições sem querer. A principal acontece durante o hino nacional. Quando começa a tocar, todo mundo levanta e coloca a mão no peito. O mais bonito é ver as crianças repetindo esse gesto. Assim que o hino começa, elas já colocam a mãozinha no peito também”, finaliza.
O Brasil enfrenta a Noruega neste domingo (5), às 17h, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, pelas oitavas de final da Copa do Mundo. A partida terá cobertura completa com fotos, vídeos e informações em tempo real pelo Portal OLiberal.com.
