O Sucesso de uma Ideia Inovadora
No recente Bioeconomy Amazon Summit (BAS) 2026, realizado em Belém, Pará, o empresário Felipe Franzina se destacou ao apresentar um inovador ingrediente proveniente da Amazônia. Ele segurava um frasco com um pó roxo e explicou aos participantes: “Isso aqui é 100% açaí”. O paulistano tem se dedicado a exportar a rica cultura amazônica para o mundo, transformando frutas nativas em iguarias premium para o mercado internacional.
A trajetória de Franzina é um reflexo de seu trabalho árduo nos últimos anos. Fundada em 2015, a Amazonia Bio Group surgiu com o propósito de conectar produtores da Amazônia à indústria global de ingredientes funcionais. Atualmente, a empresa processa frutas como açaí, cupuaçu, acerola, guaraná e camu-camu, oferecendo purês, concentrados e pós liofilizados a mais de 30 países.
No último ano, a Amazonia Bio faturou mais de US$ 7 milhões, aproximadamente R$ 35 milhões. Franzina destaca a importância de trabalhar com a moeda norte-americana, dado que todos os produtos são exportados. Para 2026, a expectativa é que a receita dobre, impulsionada pela recente aquisição de uma fábrica própria no Amapá.
Transformando a Fruta em Produto de Valor
Com a nova planta em funcionamento, Franzina afirma: “Em 2026, iniciaremos a produção 100% própria. A empresa foi criada para organizar pessoas que não tinham acesso a capital e transformar frutas selvagens em ingredientes que atendem à demanda global”. Além disso, a companhia mantém escritórios em Portugal e na Bélgica, fortalecendo sua presença internacional.
Antes de se aventurar no setor de bioeconomia, o empresário construiu uma carreira sólida no mercado financeiro. Graduado em comércio exterior e economia, passou pelo programa de trainee do Banco Votorantim, onde adquiriu experiência em captação de recursos internacionais. No entanto, a ideia para a Amazonia Bio começou durante um intercâmbio na Austrália, onde organizou brasileiros para conseguir empregos temporários. “Foi minha primeira experiência com empreendedorismo social”, recorda.
Com um mestrado em uma universidade francesa, Franzina uniu conhecimento sobre comércio internacional e cadeias alimentares. Sua pesquisa o levou a identificar o açaí como um produto com grande potencial de demanda no mercado global, difícil de ser replicado por outros países.
A Tecnologia por Trás do Açaí em Pó
A proposta inovadora da Amazonia Bio se destaca pelo uso da liofilização, um processo que desidrata o alimento sem temperaturas elevadas, preservando seu sabor e nutrientes. Essa técnica permite que as frutas amazônicas sejam convertidas em pós concentrados utilizados em suplementos alimentares, shakes e cosméticos. “O cliente busca a essência da fruta, não um saborizante artificial”, comenta Franzina.
Atualmente, o açaí é um dos principais produtos da empresa, com toda a produção já comercializada para clientes internacionais. A estratégia de negócios é verticalizada, com a empresa adquirindo frutas de cooperativas e pequenos produtores, especialmente do Amapá, para processá-las e exportá-las.
A Coop Maracá, no Amapá, é uma das principais cooperativas parceiras, fornecendo açaí e banana. “Vamos fortalecer sistemas de agrofloresta e agricultura regenerativa, mantendo uma postura contrária ao desmatamento associado à expansão do açaí”, enfatiza Franzina.
Direções Futuras e Expansão de Mercado
Até 2025, toda a produção da Amazonia Bio era terceirizada, mas isso mudou com a aquisição de uma indústria desativada no Amapá. A nova planta possui capacidade para processar até 2 milhões de quilos de açaí por ano e pode produzir 4 mil latas de polpa diariamente. “A compra da fábrica nos conferiu uma nova capacidade de crescimento”, salienta o empresário.
Os escritórios na Europa gerenciam aspectos logísticos e financeiros das exportações, e até o momento, a Amazonia Bio já alcançou 37 países com seus produtos.
Além da linha de ingredientes industriais, a empresa lançou a marca Authentic Fruits, que produz smoothies feitos com frutas brasileiras, inicialmente comercializados apenas fora do Brasil, especialmente na Alemanha. São oferecidas cinco versões, cada uma com um benefício funcional, destacando-se pela ausência de açúcar e pela longa validade.
Impacto das Mudanças no Consumo Global
Felipe Franzina acredita que o crescimento da sua empresa reflete uma transformação nas prioridades dos consumidores. “As pessoas estão cada vez mais atentas ao que consomem. A valorização de produtos ‘clean label’ e de saúde é uma tendência crescente no mercado”, finaliza.
O Bioeconomy Amazon Summit, onde Franzina apresentou seu trabalho, ocorre esta semana em Belém e conta com a participação de diversos parceiros e financiadores, reforçando a importância do evento para a promoção da bioeconomia na Amazônia.
