Estratégias de Comunicação em Foco
A poucos meses do início da campanha eleitoral, os pré-candidatos à Presidência da República estão intensificando suas estratégias de comunicação e definição de perfis para cativar os eleitores. As pesquisas revelam um cenário em que a popularidade é uma questão central, e, por isso, cada candidato busca se destacar de maneira eficaz. Enquanto o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) enfrentam a tarefa de amenizar suas respectivas rejeições, os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) planejam expandir seu reconhecimento nacional.
A GloboNews e o g1 consultaram estrategistas e marqueteiros dos principais pré-candidatos, que obtiveram mais de 3 pontos percentuais nas últimas intenções de voto segundo a pesquisa Datafolha.
Lula (PT) e as Medidas Contra Dívidas
Uma das principais preocupações do governo é o impacto das dívidas na renda familiar, fator que pode influenciar a popularidade de Lula. Apesar de medidas como a isenção do imposto de renda, que foram esperadas com otimismo, a resposta do eleitorado não foi a desejada. O marqueteiro do PT, Raul Rabelo, apresentou um documento que coloca a questão da dívida como um ponto central na comunicação da campanha.
Com isso, o governo planeja lançar um novo programa voltado ao pagamento de dívidas, com a possibilidade de liberar o uso do FGTS como uma forma de aliviar o endividamento. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, corroborou essa ideia.
Combate ao Aumento dos Combustíveis
Em março, o governo anunciou um pacote de medidas para lidar com os altos preços dos combustíveis, agravados pela guerra no Irã. Essas estratégias incluem um aumento na fiscalização das distribuidoras, mudanças no preço do Gás do Povo e isenções fiscais para o biodiesel e querosene de aviação. Um ponto destacado pelos estrategistas do PT é associar a escalada dos preços à política de Donald Trump, enfatizando que a família Bolsonaro se alinha ao ex-presidente americano.
“É essencial que mostremos à sociedade que o aumento dos combustíveis está ligado a uma guerra iniciada por Trump”, apontou Éden Valadares, secretário de comunicação do PT.
Flávio Bolsonaro (PL) – Rumo ao Eleitorado Feminino
O PL reconhece que conquistar o eleitorado feminino é um desafio para a família Bolsonaro. Por isso, considerar uma mulher como vice na chapa de Flávio é uma das alternativas para atrair esse público. Nomes como Simone Marquetto, Clarissa Tércio e Teresa Cristina estão sendo analisados, com a decisão prevista para após junho.
Outra estratégia inclui a defesa do endurecimento das penas para crimes contra mulheres, em uma tentativa de aumentar a empatia com esse segmento.
Aproximação com o Mercado
Flávio Bolsonaro também se empenha em estreitar laços com o mercado, buscando se posicionar como um candidato liberal na economia. Ele tem se reunido com empresários e planeja nomear um técnico para o Ministério da Economia, priorizando a responsabilidade fiscal e a criação de um ambiente favorável a investimentos.
Fim da Reeleição – Um Gesto Político
Em março, o senador protocolou uma proposta de emenda à Constituição que proíbe reeleições para o cargo de presidente, com a proposta de que, se aprovada, já valeria para as eleições de 2030. Com essa medida, Flávio busca não apenas se fortalecer, mas também abrir espaço para outros nomes em futuras disputas.
Ronaldo Caiado (PSD) – A Alternativa à Polarização
Identificado com a direita, Ronaldo Caiado pretende se posicionar como uma alternativa à polarização política. Seu marqueteiro, Paulo Vasconcelos, argumenta que “a polarização não traz soluções práticas para o dia a dia dos cidadãos”. A ideia é mostrar que Caiado tem propostas que contemplam tanto questões da direita, como responsabilidade fiscal, quanto preocupações da esquerda, como saúde e vacinação.
A relação histórica de Caiado com o agronegócio também será um ponto destacado em sua campanha, considerando que o setor é visto como um dos pilares da economia brasileira.
Romeu Zema (NOVO) – Anticorrupção em Foco
O ex-governador de Minas, Romeu Zema, apresenta uma forte proposta anticorrupção. Seu marqueteiro, Renato Pereira, acredita que Zema deve enfatizar a ideia de “acabar com a farra dos intocáveis”, propondo uma agenda que privilegie a transparência e a responsabilidade dos ministros do Supremo Tribunal Federal.
A estratégia inclui foco em privatizações e cortes de ministérios, além de um mapeamento das regiões Sul e Sudeste para maximizar sua exposição e potencial de votos.
