Iniciativas do Sebrae Fortalecem Comunidades Indígenas
Celebrado no último domingo (19), o Dia dos Povos Indígenas destaca a importância de reconhecer e valorizar a rica diversidade cultural e os saberes tradicionais das comunidades originárias no Brasil. No Pará, o Sebrae vem implementando diversas iniciativas voltadas ao empreendedorismo e à economia criativa, aumentando a visibilidade e as oportunidades de geração de renda para esses povos. Essas ações estão alinhadas ao conceito de pluralidade, um dos três eixos que a instituição enfatiza em suas atividades no estado.
Rubens Magno, diretor-superintendente do Sebrae/PA, ressalta: “A pluralidade é um dos nossos eixos de atuação, ao lado da sustentabilidade e inovação. Ao promover capacitações, acesso a mercados e participação em eventos estratégicos, o Sebrae ajuda os povos indígenas a converter seus conhecimentos ancestrais em oportunidades de negócios”.
Capacitação e Visibilidade para os Artesãos
Nos últimos anos, o Sebrae no Pará tem focado na inclusão produtiva de comunidades indígenas, especialmente por meio de capacitações e participação em grandes eventos de economia criativa. Uma ação de destaque foi a formação de artesãos da etnia Anambé, realizada no ano passado na aldeia do município de Moju, na região do Baixo Tocantins.
Durante cinco meses, aproximadamente 20 indígenas receberam orientação sobre precificação, divulgação, comercialização e aprimoramento da produção artesanal, visando fortalecer o empreendedorismo e valorizar a cultura tradicional. O esforço resultou na participação destes artesãos em eventos de grande visibilidade, como a Feira de Artesanato do Círio (FAC), um dos maiores palcos do artesanato na região Norte do Brasil.
Na edição de 2025, o espaço “Mundo Amazônia”, idealizado pelo Sebrae/PA, apresentou ao público uma diversidade de peças criadas por esses indígenas, incluindo colares, biojoias, cestarias e outros artefatos fabricados com matérias-primas da floresta. Além dos Anambé, o evento também contou com a presença de artesãos de etnias como Kaiapó, Ticuna, Assurini, Xicrin, Xipaya, Parakanã, Arara e Galibi-Marworno, fortalecendo a identidade cultural e ampliando as oportunidades de negócios para esses empreendedores.
Resultados Promissores e Parcerias Estratégicas
A proposta do evento foi criar um ambiente propício para a geração de renda e a abertura de novos mercados, especialmente com a realização da COP30 em Belém, em novembro do ano passado. Juntos, os indígenas conseguiram faturar cerca de R$ 100 mil, enquanto a soma geral de negócios ultrapassou R$ 115 mil, evidenciando o potencial do empreendedorismo indígena.
Em outra frente, o Sebrae/PA firmou uma parceria com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) visando a inclusão produtiva dos refugiados venezuelanos da etnia Warao. Durante dois módulos do projeto, foram oferecidas capacitações e acompanhamento técnico a cerca de 55 artesãos, além de incentivo à comercialização de seus produtos.
A artesã Luisa Cooper, uma das beneficiadas pelo Projeto Warao, compartilha seu testemunho: “Com esse trabalho eu sustento minha família e pago o aluguel da nossa casa. O Brasil, até agora, me recebeu com muito amor. Em outros países, eu vi pessoas sendo maltratadas, mas aqui sempre fui bem tratada. Estou muito feliz com essa oportunidade do Sebrae/PA”.
Rumo à Autonomia e Sustentabilidade
Os principais resultados desta parceria incluem a participação dos indígenas em importantes eventos e feiras de economia criativa em Belém, como a FAC e a Feira Pan-Amazônica do Livro, além de exposições durante a COP30. Após as capacitações, muitos indígenas passaram a faturar mais de R$ 1,2 mil por evento, demonstrando a efetividade das ações promovidas.
De forma prática, a parceria de três anos prevê ações contínuas de capacitação empreendedora, com foco na geração de renda, valorização de saberes tradicionais e fortalecimento da autonomia econômica da etnia, contribuindo assim para um futuro mais sustentável e próspero para as comunidades indígenas do Pará.
