Saúde mental em foco no Dia do Trabalhador
Centrais sindicais realizaram, nesta sexta-feira (1º), um ato unificado em Belém em celebração ao Dia do Trabalhador. A movimentação teve como palco a Praça da República e a Avenida Doca de Souza Franco, onde lideranças e trabalhadores se reuniram em torno de temas críticos como a redução da jornada de trabalho, a extinção da escala 6×1, o combate ao feminicídio e também fizeram críticas à pejotização.
Um dos principais pontos de discussão durante o ato foi a saúde mental dos trabalhadores, que, segundo Ivan Duarte, presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio e Serviços do Pará (Sec-PA) e dirigente da União Geral dos Trabalhadores no estado, se tornou uma questão urgente no movimento sindical. “A saúde do trabalhador é a principal reivindicação atualmente. As pesquisas indicam um aumento das doenças mentais em várias categorias”, relatou Duarte.
Ele destacou que professions como comércio, serviços, educação e segurança pública estão entre as mais afetadas por essa problemática. Ivan também mencionou o significado do 1º de Maio como um dia de luta e reflexão, ressaltando a importância de honrar aqueles que lutaram antes e enfrentaram situações adversas, inclusive perdendo suas vidas.
Críticas à escala 6×1 em defesa do bem-estar dos trabalhadores
A revogação da escala 6×1 foi outra pauta central no ato. Vera Paoloni, presidenta da CUT Pará, considera essa jornada de trabalho ultrapassada e prejudicial à qualidade de vida dos trabalhadores. “Precisamos acabar com a escala 6×1, que remete a um tempo de opressão. É fundamental que os trabalhadores tenham mais tempo para cuidarem de si e de suas vidas além do trabalho”, afirmou Vera.
Ela também destacou o caráter político do evento. “Esse ato representa resistência. Celebramos hoje a luta em defesa da democracia e dos direitos sociais conquistados ao longo da nossa história”, destacou.
Tião Carvalho de Souza, presidente da CTB Pará, reiterou as críticas ao modelo de jornada de trabalho, afirmando que a escala 6×1 é desgastante para os trabalhadores. “Essa é uma luta permanente em todo o Brasil”, afirmou.
Mobilização contra o feminicídio
O combate ao feminicídio também ocupou um lugar de destaque nas reivindicações do ato. Tião Carvalho lembrou a urgência da pauta diante do alarmante índice de violência contra mulheres no país. “Precisamos erradicar o feminicídio no Brasil. Precisamos de mulheres vivas, não de mortes”, enfatizou.
Os dirigentes ressaltaram a importância da unidade entre as centrais sindicais, mesmo em um feriado prolongado. “As centrais nunca deixaram de celebrar o 1º de Maio. Essa mobilização é um forte indicativo da relevância e da força das centrais no Pará e em todo o Brasil”, completou Tião.
Ato reúne diversidade de categorias e mantém a tradição de luta
O evento também contou com a participação de diversas categorias profissionais, embora nem todos os trabalhadores tenham conseguido se juntar à mobilização. De acordo com Ivan Duarte, houve paralisações no comércio e shoppings, mas os trabalhadores de supermercados não foram liberados pelos empregadores. “Os shoppings e o comércio pararam, o que é ótimo. No entanto, os supermercados não liberaram seus funcionários”, explicou.
Após o ato, os sindicatos organizaram atividades de lazer para trabalhadores e suas famílias, reforçando a tradição de unir mobilização e convivência no Dia do Trabalhador. Apesar das atividades recreativas, os organizadores enfatizaram que o 1º de Maio continua sendo, acima de tudo, um momento de reivindicação. “É um dia intenso, breve, mas que demonstra nossa unidade e nossa luta”, resumiu Vera Paoloni.
Destaques da mobilização na Avenida Doca
Durante a mobilização na Avenida Doca de Souza Franco, outras lideranças sindicais também abordaram a necessidade de mudanças nas relações de trabalho e a atenção a questões sociais urgentes. Hélio Oliveira, representante da Intersindical Central Sindical e Popular, afirmou que a extinção da escala 6×1 já é um tema de debate no Congresso Nacional e que precisa ser encarado com seriedade.
“O fim da escala 6×1 é uma discussão atual e necessária, que já passou pela Comissão de Constituição e Justiça. Estamos engajados nesse debate com a classe trabalhadora”, disse Hélio, que também ressaltou a importância de garantir um equilíbrio entre vida profissional e pessoal. “Hoje, a sociedade está adoecendo sob uma carga de trabalho excessiva, especialmente mulheres que são mães solo e precisam enfrentar longas jornadas de trabalho”, alertou.
Ele ainda destacou a gravidade do feminicídio. “A cada dia, uma mulher é assassinada no Pará, no Brasil e no mundo”, concluiu. Josyanne Quemel, executiva da CSP-Conlutas, ressaltou a importância de honrar a história do 1º de Maio como um dia de luta. “Manter essas manifestações vivas é um reflexo da luta histórica dos trabalhadores e trabalhadoras ao longo do tempo”, finalizou.
