Desabamento no Comércio Histórico de Belém
Na manhã desta segunda-feira (6), um trecho de um prédio histórico localizado na rua 13 de Maio, entre as travessas Padre Eutíquio e 7 de Setembro, no bairro da Campina, em Belém, desabou. As primeiras informações indicam que não houve vítimas. O Corpo de Bombeiros Militar (CBM) foi acionado e permanece no local para atendimento da ocorrência e avaliação das condições da área afetada.
Equipes da Polícia Militar também foram mobilizadas para garantir a segurança no entorno. Entre quatro e cinco quarteirões foram isolados preventivamente, e as lojas localizadas na região permanecem fechadas até novas determinações.
Avaliação estrutural e medidas de segurança
O CBM aguarda a chegada de um engenheiro responsável pela análise das condições estruturais do imóvel, a fim de verificar a possibilidade de novos desabamentos. O prédio, que possuía três pavimentos, abrigava lojas de variedades no térreo, vendendo roupas e maquiagens, enquanto os andares superiores eram usados como depósitos para os produtos comercializados no piso inferior.
Até a conclusão da inspeção técnica, comerciantes e moradores estão proibidos de acessar o perímetro isolado. A liberação dependerá do laudo que ateste a segurança da área.
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Possíveis causas do desabamento
Uma avaliação preliminar feita pelo arquiteto da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), Jorge Martins Pina, indica que a falta de manutenção preventiva e a sobrecarga de mercadorias podem ter provocado o colapso da fachada. Segundo Pina, imóveis históricos, muitos com mais de 200 anos, demandam cuidados constantes para preservar sua estrutura, o que aparentemente não estava sendo feito no local.
Durante a vistoria, o arquiteto identificou sinais de comprometimento na cobertura, como uma calha tombada próxima à esquina, que pode ter causado infiltrações. A umidade resultante teria enfraquecido as paredes do edifício.
Além disso, Pina observou que os pavimentos superiores estavam sobrecarregados com mercadorias em quantidade incompatível com a capacidade estrutural do prédio. “É uma construção antiga, feita com barrotes e soalho de madeira, sem lajes ou vigas de concreto”, destacou.
Na avaliação do arquiteto, a combinação da infiltração e o excesso de peso resultaram no desabamento dos barrotes junto com parte da fachada. No entanto, ele ressaltou que as causas serão confirmadas pelos laudos técnicos elaborados pelo Corpo de Bombeiros e pela Defesa Civil.
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Manutenção preventiva e fiscalização
Questionado sobre a possibilidade de evitar o desabamento com manutenção preventiva, mesmo com a grande quantidade de mercadorias armazenadas, Pina esclareceu que o risco permaneceria devido às limitações estruturais da edificação histórica. Ele afirmou que o prédio não foi projetado para suportar cargas elevadas, independentemente dos cuidados.
Sobre relatos de que funcionários de uma loja vizinha teriam alertado o proprietário há cerca de um ano, a Secretaria Municipal de Cultura não recebeu qualquer comunicação oficial. Caso tivesse sido informada, a Secult poderia ter oferecido orientação técnica para a preservação do imóvel.
Jorge Martins Pina explicou que a Secult mantém uma equipe especializada para assessorar proprietários e inquilinos de imóveis históricos, prestando orientações sobre conservação e restauração. O serviço é oferecido mediante solicitação e ajuda, inclusive, na obtenção de benefícios previstos em lei, como descontos no IPTU para imóveis de valor histórico.
A Redação Integrada de O Liberal segue acompanhando a situação para informar sobre as investigações das causas do desabamento e as providências adotadas pelos órgãos responsáveis, com foco na segurança pública e preservação do patrimônio histórico em Belém.
